domingo, 14 de fevereiro de 2010

CÉSIO 137 – MARCAS ETERNAS




As sequelas deixadas pelo césio não estão apenas nos corpos das vítimas!



Em 13 de setembro de 1987, no município de Goiânia (GO), ocorreu aquele que foi considerado como o maior acidente radiológico do mundo. Um aparelho de radioterapia contendo o material radioativo césio-137 (produzido em reatores nucleares) encontrava-se abandonado no prédio do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), instituto privado, no centro de Goiânia, desativado há cerca de 2 anos (isto mesmo, havia 2 anos que o equipamento estava abandonado no local). Dois homens, Roberto e Wagner, à procura de sucata, entraram no prédio do Instituto sem nenhuma dificuldade, pois o mesmo se encontrava em escombros, sem portas e nem janelas, e levaram o aparelho até Devair, dono de um ferro-velho.
Lourdes (Mãe de Leide)  oferecendo flores na lápide da filha.
 Durante a desmontagem do aparelho, foram expostos ao ambiente 19 g de cloreto de césio-137 (CsCl), pó semelhante ao sal de cozinha. O encontrado não era exatamente na forma de pó, mais parecia como uma pasta, de cor acinzentada, e virava pó quando friccionado. Mas o que chamava muita atenção é que no escuro, brilhava intensamente com uma coloração azulada. Encantado com o brilho do material, Devair, passou a mostrá-lo e até distribuí-lo a amigos e familiares, inclusive para seus irmãos Odesson e Ivo. Ivo levou um pouco para sua filha, Leide.




Expostas ao material radioativo, às pessoas começaram a desenvolver sintomas da contaminação (tonturas, náuseas, vômitos e diarréia), algumas após horas de exposição e outras após alguns dias, levando-as a procurarem farmácias e hospitais. Foram medicadas como portadoras de uma doença contagiosa. Os sintomas só foram caracterizados como contaminação radioativa em 29 de setembro, depois que esposa do dono do ferro-velho Maria Gabriela, levou parte do aparelho desmontado até a sede da Vigilância Sanitária. No dia 23 de outubro daquele ano morria Maria Gabriela, esposa de Devair e sua sobrinha Leide. Devair, juntamente com outras 15 pessoas, foram encaminhadas para tratamento de descontaminação no Hospital Naval Marcílio Dias no Rio de Janeiro, vindo a falecer em 1994. Nestes 25 anos 6 pessoas da mesma família Alves Ferreira vieram a óbito.
Retirada dos bens contaminados

       Para a verdade dos fatos, é necessário deixar registrado que o governo na época não sabia ainda o que estava acontecendo. Até que no dia 29 de setembro, um dia após Maria Gabriela e Geraldo (catador de recicláveis que morava no ferro-velho) terem levado a peça que continha o césio a Vigilância Sanitária. O físico Walter Mendes, de férias na cidade, solicitou um contador Geiger do escritório da Nuclebrás de Goiânia, emprestando-o a Vigilância Sanitária. E ai sim, foi constatado a radioatividade.




Rápido histórico do acidente


13.09.1987 - fonte foi removida do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR) rompimento da fonte

14.09.1987 - RSA (22 anos) - vômito WMP - vômitos, náusea, diarréia, inchaço nas mãos
19.09.1987 - DAF (36 anos) - comprou o cabeçote IBS (22 anos) e AAS (18 anos) - manuseiam a fonte
21.09.1987 - DAF leva para a sala de sua casa distribui os fragmentos da cápsula MGF (28 anos) - náusea, vômitos e diarréia
23.09.1987 - WMP - é internado 24.09.1987- IAP (irmão de DAF) leva os fragmentos para casa,LNF (6 anos) ingere o pó de césio
28.09.1987 - MGF e GGS (21 anos) levam a fonte para a vigilância sanitária de ônibus coletivo por 30 minutos. GGS carrega a fonte no ombro (queimaduras)
29.09.1987 - físico confirma ser material radioativo Detectável 5 - 6 quadras antesComunica o fato a CNEN procura localizar a proveniência da fonte
30.09.1987 - Chega o diretor de fiscalização da CNEN- As pessoas são alojadas em um estádio olímpico para alimentação especial e triagem das pessoas- Descontaminação inicial (roupas, pele -água, sabão vinagre, pedra-pome)- Casos mais graves de contaminação e com lesões graves visíveis - Hospital Geral de Goiânia (HGG)- Hemograma das pessoas
01.10.1987 - 6 pacientes são removidos para o Hospital Naval Marcílio Dias (RJ)



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