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Propina Nuclear

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No inquérito sobre corrupção na Petrobras (denominada operação lava-jato) surgiu suspeitas de fraudes sobre negócios do grupo Eletrobrás, composto de 15 empresas estatais responsáveis por mais de um terço da energia consumida no país, com patrimônio superior a R$ 60 bilhões.
Todo esse conjunto de empresas está sob investigação por iniciativas coordenadas entre o Ministério público (MP), Tribunal de Contas da União (TCU) e Policia Federal (PF). Além de suas contas estarem sendo auditadas pela Hogan Lovells, escritório de advocacia americano contratado pela Eletrobrás.

As suspeitas sobre negócios escusos foram reforçadas em depoimentos de executivos de empreiteiras, de ex-diretores da Petrobras e de agentes de distribuição de propinas. Foi nessa rede que caiu o diretor presidente da Eletronuclear, uma das menores subsidiárias do grupo Eletrobrás, o almirante da marinha brasileira Othon Luiz Pinheiro da Silva.
Nesta investigação envolvendo propinas na construção de Angra 3 também esta sob investigação acusados de receber subornos, o ex ministro das Minas e Energia Edson Lobão, o ministro do TCU Raimundo Carreiro e o advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do TCU.

O almirante Othon ficou conhecido por liderar, no auge da ditadura militar, a equipe que desenvolveu o Programa Nuclear Paralelo (entre 1979 e 1994) iniciativa militar no âmbito da antiga Coordenadoria de Projetos Especiais da Marinha, em que foram gastos, segundo revelado pelo próprio almirante, US$ 667,9 milhões. O objetivo era bélico com o desenvolvimento de tecnologia em enriquecimento de urânio, e assim produzir artefatos nucleares. Tudo a margem do projeto de construção das usinas nucleares.

No início do primeiro governo Lula o almirante foi convidado como conselheiro presidencial, e em seguida, em 2005 assumiu a presidência da Eletronuclear. Em 2009 se deu a retomada da construção de Angra 3, parada há 23 anos. 

O ex todo poderoso Othon, agora encarcerado é acusado de receber R$ 9,8 milhões de propina de empreiteiras contratadas para o projeto da 3ª usina nuclear em Angra dos Reis (RJ), entre 2009 e 2014. Este dinheiro, segundo a investigação saíram dos cofres de empreiteiras com obras em Angra 3 (Andrade Gutierrez, Engevix, Camargo Corrêa, ...), passaram pelo caixa da Link Projetos e Participações e chegaram na empresa familiar que o almirante era sócio, a Aratec Engenharia Consultoria & Representações. O ”modus operandi” destas transações criminosas é semelhante ao ocorrido na Petrobras, utilizando empresas de fachada para repasses de propinas. 

Inicialmente detido em regime de prisão temporária, depois convertida em preventiva, na prática o ex-presidente da Eletronuclear (em 6/8 a Eletrobrás anunciou seu pedido de demissão ) não tem prazo para ser solto. O juiz justificou sua decisão ao escrever no despacho, que “são robustas as provas do pagamento de propina a Othon Luiz em decorrência do cargo exercido na Eletronuclear e mediante a simulação de contratos de consultoria fraudulentos”.
Este episódio envolvendo o executivo principal da Eletronuclear é gravíssimo, e suficiente para a interrupção das atividades nucleares no país, em particular a construção de Angra 3, com o congelamento de novas instalações. Espera-se que todas as denúncias sejam investigadas e apuradas as responsabilidades.

Não se pode mais ignorar as objeções técnicas ao projeto de Angra 3. Como as denúncias com relação à obsolescência dos equipamentos tecnologicamente defasados, e que não atende aos requisitos internacionais de segurança, comprometendo o seu funcionamento e aumentando o risco de um desastre nuclear. Assim nem as seguradoras querem ter Angra 3 como cliente.
Também os altos custos na construção da usina, estimados para mais de  R$ 18 bilhões depois de pronta, vai de encontro ao próprio discurso oficial de oferecer energia elétrica a tarifas  módicas ao consumidor final.

É inaceitável e não se admite que a decisão de construir centrais nucleares no país tenha sido feita em um mero balcão de negócio, sem a necessária salvaguarda da vida das pessoas.

Fonte: Heitor Scalambrini Costa - Professor da Universidade Federal de Pernambuco
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Pense, reflita e diga não a energia nuclear

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    As decisões tomadas pelos governos da França, Alemanha, Japão, Bélgica, Itália, entre outros, de reverem seus programas de instalação de novas usinas nucleares, e desativarem as existentes, são mais do que um indicativo que esta fonte de energia perdeu espaço considerável no século XXI. Por trás (e a frente) das decisões governamentais, está a pressão popular. A conscientização sobre os reais riscos desta tecnologia tem levado milhares de pessoas a se manifestarem publicamente contrárias ao uso da energia nuclear. Dificilmente por vontade de novos governos haverá mudanças na política não nuclear destes países. Nem mesmo no Japão, onde o atual primeiro ministro tem insinuado que não só reativará as 50 usinas fechadas pós Fukushima, mas construirá novas centrais núcleo-elétricas. A razão é simples a população não quer conviver com o perigo constante de uma catástrofe nuclear.

    A China, utilizada como exemplo na rota pró-nuclear, não deve ser imitada. Suas situação política, social e ambiental, não serve como exemplo. O país que é o mais populoso do mundo (mais de 1,3 bilhões de habitantes), tolhe a liberdade de expressão e impede pela força, a participação popular. Por outro lado, os Estados Unidos da América, citado como exemplo de modelo nuclear, vive um grande dilema com relação a sua economia, a seu modo de vida, e as suas posições nos fóruns internacionais referentes às mudanças climáticas. As contradições são enormes, em um país que já foi à locomotiva do mundo ocidental capitalista. Hoje, ao mesmo tempo, propõe a produção e a utilização do gás do xisto betuminoso (verdadeiro crime ambiental), acena para o fortalecimento de políticas na área de energias renováveis.

    O Brasil é que deveria servir de exemplo e modelo para outros paises na área energética. Com recursos naturais abundantes como o Sol, o vento, as águas, a biomassa, deveríamos estar à frente e propor novos caminhos para sociedade mundial, na utilização destes recursos, de maneira eficiente, sem desperdício, e sem impacto ambiental e agressão social, levando em conta para que e para quem os recursos energéticos são destinados. Complementando a rede elétrica nacional com geração de energia descentralizada, substituindo os chuveiros elétricos, a iluminação e motores ineficientes, por novas tecnologias disponíveis. Enfim priorizando o uso das novas fontes renováveis e políticas de conservação.

    Mas infelizmente, estamos andando para trás, no que concerne a matriz elétrica. Cada vez mais se instalam termelétricas a combustíveis fósseis, menosprezando os recursos naturais disponíveis. O planejamento tecnocrático indica o aumento das termelétricas nos próximos anos, desenhando para o futuro uma matriz hidro-térmica. Verdadeiro crime lesa-pátria que está sendo cometido com as gerações futuras, e com o planeta, ao desprezar as novas fontes renováveis.

    Ainda, o que chama a atenção, são as posições dos eternos lobistas da energia nuclear, uns mais belicistas que outros. Aquele mesmo, ex-ministro de Ciência e Tecnologia, que defendeu e defende que o país se insira no “clube da bomba”, volta nestes tempos de crise elétrica, a propor que a energia nuclear seja “tratada com mais carinho” pelo governo federal. Empregados ilustres da Eletronuclear utilizam velhos argumentos, os mesmos que respaldaram a assinatura do acordo Brasil-Alemanha em plena ditadura militar. Defendem que o Brasil necessita da energia nuclear para atender as necessidades elétricas de agora e futura, daí não pode abrir mão, nem de suas reservas de urânio (para os negócios), e nem da construção de novos reatores nucleares. Propõem não só Angra III em construção, e mais 4 outras usinas até 2030, sendo dois destes complexos nucleares no Nordeste brasileiro, ao lado do Rio São Francisco. Verdadeiro descalabro ao povo sertanejo.

    No próximo mês, no dia 11 de março, lembraremos 2 anos da catástrofe de Fukushima.  Não se pode esquecer a gravidade, e as repercussões para a vida de tal acidente, que esta sendo abafado pelas agências de notícia. A população brasileira não se deixará enganar, e mais uma vez continuará afirmando “Não queremos energia nuclear, nem em Pernambuco, nem no Nordeste, e nem no Brasil”.

Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco

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Brasil investiga apreensão de material radioativo na Bolívia

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Após apreensão de duas toneladas de material radioativo em um edifício em La Paz, o Valor apurou que a Polícia Federal e a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) investigam uma possível rota de contrabando de urânio extraído em solo brasileiro rumo à Venezuela e que poderia ter como destino final o Irã.
O risco foi evidenciado na noite de anteontem, quando o ministro do Interior da Bolívia, Carlos Romero, anunciou que a polícia havia apreendido duas toneladas de urânio na garagem de um edifício no centro da capital. Quatro pessoas foram presas na operação, fruto, segundo o ministro, de uma investigação que durou 45 dias.
O prédio onde foi feita a apreensão é vizinho à Embaixada dos Estados Unidos e à residência oficial do embaixador do Brasil em La Paz, Marcel Biato. Além disso, o edifício abriga os adidos militares da Venezuela.
Ontem, no entanto, Romero recuou, dizendo que "a possível existência ou não de urânio ainda merece uma investigação científica". Ele encarregou o Instituto de Tecnologia Nuclear e o Serviço de Geologia e Minas do país de fazer as análises. Disse ainda, sem explicar como chegou a tal informação, que o material - uma série de rochas embaladas em sacolas de pano na caçamba de uma camionete - teria saído do Brasil, passando pela Bolívia com destino ao Chile, de onde seria embarcado para a Europa.
Uma fonte do governo brasileiro disse ao Valor que a Polícia Federal e a Abin já investigam rumores sobre uma rota de contrabando de material radioativo extraído no Brasil. "Se o material apreendido contiver efetivamente urânio, isso confirma indícios de que existe uma rota de comércio de urânio clandestino exportado do Brasil pelo Estado boliviano do Beni", disse a fonte. "Já ouvíamos isso, estávamos tentando investigar. Uma de nossas fontes policiais tem nos confirmado esses rumores. Agora, a Abin e a Polícia Federal terão que se envolver oficialmente no caso."
A suspeita em Brasília é que o urânio entre ilegalmente na Bolívia e seja exportado como outro minério para o Chile. Seguiria então para a Venezuela e, de lá, chegaria até o Irã, país aliado do regime do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e que está sob embargo internacional por suspeitas de que seu programa nuclear seja destinado a construir uma bomba atômica. Consultada pela reportagem sobre uma possível investigação do caso, a Polícia Federal não respondeu.
No momento da apreensão, dois dos detidos estavam sobre a caçamba da camionete sem nenhum tipo de proteção, segundo o jornal boliviano "La Razón".
Ontem, o presidente da estatal Corporação Mineira da Bolívia, Héctor Córdova, descartou que o material seja perigoso, na forma em que foi encontrado. "Em um primeiro momento, pensou-se que era mineral que contivesse urânio. Mas isso foi rapidamente descartado, pelo menos como urânio radioativo, pelas medições feitas com os equipamentos adequados ao longo do dia [terça]", disse Córdova em entrevista coletiva.
Ele disse ainda que o país não produz urânio e que o material apreendido, "pelas características do mineral", pode ser tântalo, usado na fabricação de componentes eletrônicos de produtos como telefones celulares e computadores.
Segundo Luiz Filipe da Silva, assessor da presidência da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), o Brasil é o maior produtor de nióbio do mundo, metal frequentemente encontrado na natureza junto com o tântalo. Segundo ele, é possível encontrar urânio na mesma rocha que contém o tântalo. "Em tese, é possível extrair urânio das fontes mais exóticas. O nióbio é muito valioso, o tântalo, mais ainda, e o urânio pode ter diversas utilizações", disse. "Mas eu desconheço qualquer instalação que retire o urânio desse tipo de fonte."

FONTE: Texto - Valor Econômico 30/08/2012
Fotos - Portal R7
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Fraturas emocionais e sociais do desastre de Fukushima

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Os efeitos do acidente nuclear de Fukushima ainda não podem ser sentidos na pele das vítimas. Contudo, Takako Shishido é uma das tantas vítimas que sofre as fraturas emocionais e sociais do desastre. Habitante de região próxima à usina, sua cidade foi destruída pelas ondas gigantes, mas o Japão não a considerou área de radiação. Ela ficou com medo e fugiu para o sul do país. Acabou esquecida pelo governo e por quem decidiu reconstruir sua vida no local.
Reatores da usina japonesa explodiram depois do tsunami de março do ano passado espalhando uma nuvem de radiação na região. "O governo diz que não há perigo na região onde vivia, mas entre os cientistas não há consenso. Pode ser que fisicamente os efeitos da radiação demorem a aparecer, mas a minha vida e a de muitas pessoas foi alterada radicalmente para sempre. A explosão já acabou com o relacionamento entre as pessoas que viviam na região", contou ao Terra.
Shishido está na Cúpula dos Povos, evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, para contar os efeitos exclusivos que ela e milhares de pessoas sofreram depois do dia 11 de março, quando a próspera região norte do país sentiu o abalo da explosão da usina nuclear. Depois que saiu de uma cidade próxima a Fukushima - conta que nadava na mesma praia das ondas gigantes e enxergava a usina da própria casa -, não é perdoada por antigos amigos.
"Simplesmente não posso mais voltar para minha terra natal. Mesmo que já não houvesse mais radiação lá, meus amigos não recebem a mim nem ao meu filho porque nós fugimos. Minha vida pessoal foi destruída", disse, visivelmente emocionada. Shishido conta que há muitas outras pessoas na mesma situação. Uma decisão tomada no calor de eventos traumáticos e repentinos jamais poderá ser revertida.
Habitantes das cidades oficialmente atingidas pela radiação receberam indenização do governo japonês. Mas outros municípios que ficam no caminho do vento e onde os medidores de radiação variam ao informar se há problema ficaram de fora da ajuda. Shishido saiu do local porque não tinha condições financeiras de reconstruir sua casa.
Agora parte da usina está sendo reativada pelo governo japonês e a ameaça de um novo acidente persiste. "Como cidadã japonesa, me sinto envergonhada. Não gostaria que ninguém passasse pela situação que estou passando. Perdi meus amigos e vou ficar insegura em relação a minha saúde pela vida toda."

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Brasileiros e alemães se aproximam em luta pelo fim das usinas nucleares

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Próximo do aniversário de um ano do desastre de Fukushima, organizações brasileiras intensificam luta para barrar a construção de Angra 3 e a previsão de mais 4 usinas no país. Em debate no Fórum Social, pesquisadores alertaram para riscos da tecnologia e articularam ações com organizações alemãs. Governo do país europeu ofereceu garantia financeira para investidores do setor no Brasil.

Porto Alegre - No próximo dia 11 de março, protestos em todo o mundo marcarão o aniversário de um ano do acidente nuclear na usina de Fukushima, no Japão, que expôs mais de 300 pessoas a um alto grau de radiação. O número de mortes por câncer no futuro pode chegar a mil neste que foi o maior desastre nuclear desde Chenobyl, em 1986. Em junho, durante a Rio+20, a questão da energia nuclear estará novamente em pauta. A 150 quilômetros de distância de Angra 1 e Angra 2 e do terreno onde está sendo feita a terraplanagem de Angra 3, o programa nuclear brasileiro também será alvo de manifestações dos movimentos sociais. Neste contexto, o Fórum Social Temático em Porto Alegre, que acontece até domingo, não podia ficar fora do roteiro das articulações  nacionais e internacionais, que visam não apenas paralisar a construção de Angra 3 como acabar com a produção de energia nuclear no país.


Num debate realizado na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, promovido pela Coalizão contra Usinas Nucleares e pela Articulação Antinuclear do Brasil, a lista exposta com as razões para se rejeitar esta forma de produção energética no país foi extensa, começando pelos riscos de acidentes. Os ambientalistas enfatizaram que não existe a possibilidade de risco zero na produção da energia nuclear.


“Antes de Fukushima, muitos defensores da energia nuclear afirmavam isso. Mas todos sabem que há o efeito da imprevisibilidade. No Japão, apesar de toda a tecnologia usada na segurança, o acidente foi catastrófico do ponto de vista social e ambiental”, avaliou Heitor Scalambrini, membro do Movimento Ecossocialista e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco.


No estado, a cidade de Itacuruba, a 750 km do Recife, na fronteira com a Bahia, seria a principal opção para a construção de uma nova usina nuclear no país. Além de Angra 3, há uma previsão de colocar em operação outras quatros centrais em território nacional: duas no nordeste e duas no sudeste, a um custo de R$ 10 bilhões cada uma. Itacuruba teria sido escolhida por ficar às margens da lago de Itaparica, ao longo do Rio São Francisco, por ter solo estável e estar entre os três maiores mercados consumidores de energia elétrica da região: Salvador, Recife e o complexo portuário de Suape. A Eletronuclear fala de seis reatores, a serem instalados num complexo de 6 megawatts de produção.


Outra razão contrária à ampliação do programa nuclear brasileiro seria seu próprio custo. Depois de Fukushima, em função das novas regras de segurança que estão sendo definidas em âmbito internacional, o custo da produção da eletricidade via esta tecnologia, que já é caro – em média R$ 180 megawatt/hora –, deve aumentar, reforçando a necessidade dos subsídios já frequentes por parte dos Estados.


“É um custo alto, que não se justifica, até porque esta tecnologia contribui com apenas 2% da geração de energia elétrica no Brasil, facilmente realizáveis através da melhoria das hidrelétricas. Num país com 8 mil quilômetros de litoral, de clima tropical na sua maioria e com enormes potenciais para energias renováveis, não se deve investir em energia nuclear”, acredita Dawid Bartelt, da fundação alemã Heinrich Boll.


O governo da Alemanha está oferecendo a garantia financeira para os investimentos em Angra 3, que está sendo construída com tecnologia daquele país. A garantia financeira é uma peça decisiva para a consolidação da obra. Depois do acidente de Fukushima, no entanto, o governo alemão decidiu desativar 8 das 17 usinas nucleares em funcionamento no país; o restante será paralisado até 2022. “É um escândalo político. Enquanto acha que esta tecnologia é perigosa demais para a população alemã, o governo acredita que pode incentivá-la para a população brasileira. Está exportando uma tecnologia que já foi banida ali para outros países”, criticou Bartelt.


Na semana do dia 27 de fevereiro, o Parlamento alemão tomará a decisão se autoriza ou não o governo a conceder a garantia a Angra 3. Articuladas com organizações alemãs, as entidades brasileiras estão pressionando os congressistas europeus.


Já para o Parlamento brasileiro, foi lançada uma proposta popular de emenda constitucional, que pretende coletar pelo menos um milhão de assinaturas, para proibir, na Constituição Federal, que o país tenha usinas nucleares.


“Há um total desconhecimento da população brasileira em relação ao que está acontecendo. E uma própria ignorância dos governantes sobre este risco. Desde os prefeitos que disputam para sua cidade ser sede de usina ou para vencer licitações para receber lixo nuclear, tudo em busca de um troquinho”, disse Chico Whitaker, da Coalizão contra Usinas Nucleares. “Herdamos dos militares a ideia de que, para ser potência mundial e entrar no Conselho de Segurança da ONU, temos que ter um programa nuclear. É uma ignorância sobre o legado que deixaremos para as gerações futuras. Basta lembrar do que aconteceu com o Césio-137 em Goiânia”, alertou.


20 mil anos de lixo


Para além dos riscos de vazamento e contaminação durante a operação das usinas, a energia nuclear produz um lixo altamente radioativo, que demora 20 mil anos para esgotar seu potencial de radiação. Uma usina com vida útil de 30 anos, por exemplo, geraria mais de mil toneladas de lixo radioativo. A Finlândia é um dos poucos países do mundo que desenvolveu uma solução final para o armazenamento do lixo atômico. Em Angra, segundo os especialistas presentes no Fórum Social Temático, o armazenamento se dá em piscinas a céu aberto.


O risco, de fato, é enorme. Em 1987, uma pedra de apenas 19g de Césio-137 foi responsável pela contaminação de pelo menos 1.600 pessoas em Goiânia. A cápsula, exposta num depósito de material reciclável em uma máquina antiga de radioterapia, foi retirada por alguém que desconhecia a propriedade do elemento e que acabou, involuntariamente, contaminando todos que com ela entraram em contato. Odesson Alves, Presidente da Associação das Vítimas do Césio-137, é irmão da pessoa que encontrou a pedra.


“Meu irmão achou a pedra e queria fazer um anel para esposa. Me mostrou o material, eu o toquei por alguns segundos e isso bastou para que 40 pessoas da nossa família fossem contaminadas. As autoridades não sabiam como gerir o acidente e todos que tiveram contato direto e indireto com o material foram atingidos. A partir daí começou nosso inferno. Tive que ficar mais de quatro meses em quarentena, distante de cinco metro das pessoas. Minha mulher teve caroços no corpo todo. A população queria nos apedrejar, nos acusavam de ter destruído a cidade, meus filhos tiveram que mudar de escola. Mas quem pegou o material também era vítima do processo, das autoridades da Comissão de Energia Nuclear, que deveria ter transportado e guardado o material com segurança”, afirma Odesson Alves.


Mesmo tendo feito 10 sessões de descontaminação, ele perdeu parte do dedo indicador da mão direita, tem uma deficiência na mão esquerda, seu nível de plaquetas opera sempre no mínimo, sente arrepio nos ossos e, muitas vezes, adquire várias doenças ao mesmo tempo, por ter o sistema imunológico deficiente. “Tem pessoas que tem feridas abertas no corpo até hoje, 25 anos depois”, contou. O acidente em Goiânia também gerou 13 toneladas de rejeitos radioativos.


Os riscos no entanto, começam muito antes, alertaram as organizações. Em Caetité, na Bahia, onde existe uma mina de extração de urânio – a primeira etapa da cadeia da produção da energia nuclear –, os problemas gerados na população são enormes. Em agosto, a Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais divulgou o relatório da missão realizada na cidade para levantar as violações de direitos ocorridas no ciclo nuclear. Os documentos são reveladores do descaso do poder público com a vida dos moradores da região.


“Tudo começa com a explosão de dinamite na rocha, que gera um gás radônio, que não tem cheiro nem cor e vai ser inalado pelas pessoas, que sequer sabem que isso está acontecendo. Este gás contamina a água, o solo, os produtos agrícolas, os animais, as pessoas. Ninguém sabe a extensão das contaminações bacia hidrográfica abaixo. Até a água que a população bebia foi considerada contaminada”, contou Renato Cunha, do Grupo Ambientalista da Bahia (GAMBA), que reivindica o fim da exploração do urânio na cidade. Desde o ano 2000, quando a mina começou a funcionar, a incidência de câncer na população não para de crescer.


“Queremos que o programa nuclear brasileiro seja desativado. Mas não é só fechar as usinas. Temos que acabar com a exploração do minério, instalar um sistema de monitoramento independente dos riscos da população e melhorar o atendimento à saúde na região. Desde sempre soubemos que é melhor deixar o urânio embaixo da terra”, disse Cunha.

Por: Bia Barbosa
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Ativistas estão a favor de uma frente antinuclear

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 SANTIAGO, 19 de junho (IPS) - ambientalistas chilenos procuram reviver o movimento antinuclear no Cone Sul da América, tendo em vista um forte lobby por parte das empresas e líderes políticos feitos para esta fonte de energia na região.

"O movimento anti-nuclear na América Latina há interrompido. Então temos que construí-la. Se conseguirmos resistir a estes próximos três anos, ganhou a batalha, se não vamos ter problemas", previu Sara Larraín, diretora do Programa Chile governamentais sustentável. Para sobreviver, de acordo com Larrain, a indústria nuclear internacional está tentando desesperadamente para prolongar a vida útil dos reactores existentes no mundo, fazer novos contratos nos países que optaram por esta alternativa e invadir outras nações necessidades energéticas como o Chile.

"Hoje na América Latina não há nenhum movimento anti-nuclear que foi na década de 90, mesmo que remotamente, com a ameaça neste momento é multiplicado por muitas vezes", completou o especialista argentino Raúl Montenegro, Professor da Universidade de Córdoba e Prêmio Nobel Alternativo de 2004, ativistas realizaram uma reunião na quinta-feira na sede da Fundação Heinrich Böll em Santiago.

Nesta frente voltaria a ser protagonistas organizações na Argentina e Brasil, dois países da região, com usinas de energia operacional nuclear, assim como Chile e Uruguai, onde o debate já está instalado. O lobby nuclear também tem sido dirigida para o México, disse Larrain, a uma pergunta da IPS sobre o alcance do movimento que busca rearticular. Desta forma, Larraín e Montenegro participou na sexta-feira na Conferência Internacional "Energia Nuclear: Presente e Futuro" realizado na cidade do norte chileno de Antofagasta, no contexto da Exponor, uma grande feira de mineração da indústria.

O presidente da Confederação dos Empregadores da Indústria e Comércio (CPC) do Chile, Rafael Guilisasti, exortou o governo e os candidatos a presidente em 14 deste mês para definir o mais rapidamente possível o uso da energia nuclear no Chile, porque caso contrário, o país não alcançar o desenvolvimento em 2020, disse ele. Os candidatos presidenciais líder nas pesquisas até agora têm sido misturadas em seus pontos de vista. Enquanto o candidato da oposição de direita, ex-senador e empresário bilionário Sebastián Piñera, reconheceu que estudado o assunto, o candidato da coalizão governista de partes para a Democracia, no poder desde 1990, o ex-presidente Eduardo Frei Ruiz-Tagle democrata, mostrou uma preferência para implementá-lo.

Desde o início do seu mandato março 2006 , a presidente Michelle Bachelet enfrentou pressões políticas e de negócios para incluir o núcleo-eletricidade matriz energética chilena, chocado, desde 2004, devido à menor importação de gás natural da Argentina e recentemente afectados pela alta dos preços internacionais do petróleo. Além da dependência energia, o aumento progressivo das emissões de gases de efeito estufa que causam o aquecimento global é um dos principais problemas deste país que aspira a ser desenvolvido nas próximas décadas.

Enquanto o negócio parece fontes de energia barata e segura no longo prazo ecologistas eficiência energética e energia renovável posit não convencionais (URE), que geram menor impacto sobre o meio ambiente e estimular as economias locais. Junto com dar um forte impulso para a URE, como a eólica, solar e geotérmica, o presidente decidiu contratar estudos de 100 milhões de pesos (185.000 dólares) em 2008 e 400 milhões de pesos (740.000 dólares) este ano para avaliar tecnicamente a opção nuclear, o que foi interpretado pelo movimento ambientalista como uma violação do acordo eleitoral firmado em 2005 com 23 organizações. Um dos pontos de acordo Chagual chamada estipulou que Bachelet não incluir a energia nuclear, que é considerado caro, arriscado e poluentes em troca de apoio de ambientalistas. Embora o presidente se defendeu dizendo que sua administração não tomar uma decisão, os Verdes decidiram romper o pacto em abril de 2008.

A ofensiva das empresas tem sido liderado pelas grandes empresas de mineração de energia operacional com fome no norte do Chile . "Grupos ambientalistas, apesar da legitimidade de suas posições, estão levando a um status quo em que você não pode fazer nada: eles se opõem à energia hidroelétrica e nuclear, o que significa que os projetos são aprovados apenas pequenas magnitude. Esses setores têm o direito de dar sua opinião, mas não de impor vetos ", disse o presidente do CPC, em entrevista ao jornal La Tercera.

"Aqueles que defendem a energia nuclear, enquanto nós deve expressar mais fortemente, uma vez que temos uma visão contraditória à do verde: o desenvolvimento sustentável em si pode ser combinada com o crescimento ", disse ele Guilisasti, sob a suposição de que a energia nuclear emite menos dióxido de carbono do que o petróleo ou o carvão, que é demitido por ambientalistas para medir todo o processo. Preocupado com o poder financeiro e influência da mídia de negócios, o Programa Chile Sustentável preparado 55 páginas do documento intitulado "Energia nuclear não tem futuro", detalhando os motivos da sua oposição a tal de energia. A publicação foi apoiada pelo alemão Heinrich Böll Foundation. De acordo com Larrain, os promotores da energia nuclear "estão aproveitando a desinformação aberto" que existe no Chile.

Na sua opinião, existem muitos mitos incentivados pela indústria que deve ser levado para baixo, como é mais limpo e mais barato do que a energia gerada por combustíveis fósseis, e é capaz de fornecer aos países independentes de energia. A energia nuclear dependente de um recurso não renovável, como o urânio, e requer grandes investimentos e subsídios estatais diretos e indiretos para operar, disse ele. Os altos custos de desmantelamento, que são entre 30 e 40 anos de vida, ea falta de locais de eliminação de resíduos radioactivos são outros problemas estruturais, disse ele. De acordo com Montenegro, também presidente da Fundação para Environmental Defense (Funam), o movimento anti-nuclear regional deve basear a sua estratégia em quatro áreas simultâneas:. mobilização, fortalecimento técnico, impacto de mídia e "judicialização" do conflito De sua perspectiva, Argentina, que tem dois reatores nucleares em operação, "Não é um exemplo para o Chile", desde que o programa de energia nuclear desenvolvido pelo seu país tem sido perigoso para a saúde dos trabalhadores e da população em geral, como acontece em outros países, disse ele. o desenvolvimento da energia nuclear poderia afetar seriamente a imagem internacional do Chile como exportador de alimentos e produtos vitivinícolas como estrelas, disse ele. também alertou para os riscos é o país sísmico, com uma geografia única, ladeada a oeste pelo oceano Pacífico ea leste pela imponente Cordilheira dos Andes.

"Se um acidente ocorre sete grau (o máximo que poderia acontecer), em qualquer parte do Chile, no norte, no centro ou sul, você tem que tomar que este acidente vai cobrir pelo menos metade do país ", terminando com todas as atividades produtivas, disse ele. A ameaça terrorista contra instalações nucleares é outro perigo crescente, advertiu Larrain e Montenegro, bem como qualquer uso político de recursos radioativo mesmo que a região é livre de armas nucleares e em 2003 todos os países reafirmaram o seu compromisso com o Tratado para a Proscrição das Armas Nucleares na América Latina e no Caribe (conhecido como o Tratado de Tlatelolco), em vigor desde 1969. Num seminário na quarta-feira em Santiago, ex-presidente chileno Ricardo Lagos (2000-2006) e atual enviado da ONU especial sobre Mudanças Climáticas, disse que a energia nuclear "é importante para estudo e também é conveniente para analisar como ele pode trabalhar e fazer backup estas plantas devem ter em caso de manutenção, e isso é algo que você tem que ver os especialistas. " Larrain do Chile, finalmente, lembrou que já existem duas usinas nucleares experimentais, onde tem havido vários acidentes, um dos quais matou de leucemia dois recrutas anterior que estavam em contato com material radioativo, em 1989, enquanto outros têm seqüelas. (FIN/2009)

ENERGIA - AMÉRICA DO SUL: ativistas estão a favor de uma frente antinuclear
Por Daniela Estrada
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CORRENTE HUMANA ANTINUCLEAR

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Em 11 de março de 2012, respondendo a todo o poder nuclear para fora! 

Com enormes recursos financeiros, o lobby nuclear francês lançou uma ofensiva enorme para desacreditar a perspectiva de um abandono progressivo do nuclear em França. A fim de evitar questionamento de nosso sistema de energia nas eleições de 2012, o nuclear VRP multiplicar a sua intervenção nos meios d...e comunicação.
 
Em 11 março de 2011 começou o terrível desastre nuclear de Fukushima. Até o momento, o reator rompeu continuar a expor milhões de japoneses à radioatividade e contaminando a terra há milhares de anos.
 
Um ano mais tarde para o dia, 11 de março de 2012, respondendo a denunciar o risco de um desastre nuclear na França e dizer todos juntos "a energia nuclear, é possível! ". Outros países europeus fazem, por que não nós? Reagir de expressar a nossa solidariedade com o povo japonês e as futuras gerações sacrificadas.

São uma grande corrente humana de Lyon para Avignon na região mais nuclearizado na Europa.

A grande maioria dos franceses quer da energia nuclear. Mas uma cédula não será suficiente para forçar os nossos líderes a comprometer a transição energética necessária, que nos liberta de nossa dependência dos combustíveis fósseis e nucleares.

A mais abaixo na rua, mobilizando dezenas de milhares, que os alemães têm uma decisão de banir a energia nuclear até 2022, ainda que sua chanceler suporta o átomo.

Nós também precisamos construir um corte de energia com esses cidadãos elite, impomos o perigo nuclear ea política de avestruz do rosto grandes desafios ambientais do século XXI. Nos indignados, mas principalmente nós coletamos: sendo muitos somos fortes.

Você também ser uma "forte ligação"!

Desde maio de 2011, correntes humanas foram organizadas em todo o Vale do Rhone, no quarto domingo de cada mês. Em Montelimar, Bourg St Andéol, Avignon, Die, romanos, Tournon, Aubagne, Valencia, Lyon, Grenoble, Saint-Étienne ... cada vez que centenas de pessoas de todas as origens se reúnem em bom humor e um ambiente familiar, com a firme intenção de fazer a diferença.

Você também pode se juntar à grande corrente humana
entre Avignon e domingo Lyon, 11 de março, 2012
Contagens de cada pessoa,
e contamos com VOCÊ

MAPA DA ROTA:
http://chainehumaine.org/Rejoignez-la-grande-chaine,2#carte

LISTAS DE DISCUSSÃO DA CORRENTE HUMANA:
http://www.sortirdunucleaire.org/index.php?menu=sinformer&page=listes

CARTAZ:
http://chainehumaine.org/IMG/pdf/afficheA3-chainehumaine-web.pdf

VÍDEOS:
http://chainehumaine.org/Chaine-Humaine-a-Lyon
http://chainehumaine.org/Reportage-TV-Une-chaine-humaine

Contato:
Coordenação da grande cadeia humana
E-mail: contato@chainehumaine.org
Tel: 0777 202 771

http://chainehumaine.org/
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POR UM BRASIL LIVRE DE USINAS NUCLEARES

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CAMPANHA NACIONAL PARA COLHER ASSINATURAS, PROMOVIDA POR IMPORTANTES ENTIDADES BRASILEIRAS:
PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO, PELA INICIATIVA DOS CIDADÃOS, POR UM BRASIL LIVRE DE USINAS NUCLEARES
a) Para vedar a construção, a instalação e o funcionamento de usinas que operem com reatores nucleares para a produção de energia elétrica em qualqu...er ponto do território brasileiro;

b) Para determinar a desativação das usinas nucleares Angra I e Angra II, e seu desmantelamento no prazo de vinte anos;

c) Para determinar a imediata interrupção e o desmantelamento das obras da usina Angra III no prazo de dez anos.

Abra ou baixe o formulário para as assinaturas pelo endereço:
http://www.syntonia.com/antinuclear/FORMULARIO-PEC-ANTINUCLEAR.PDF

Abra ou baixe a proposta completa pelo endereço:
http://www.syntonia.com/antinuclear/PROPOSTA-PEC-ANTINUCLEAR.PDF

Organizações proponentes:

- Aliança pela Infância do Brasil
- Coalizão Brasileira contra Usinas - Nucleares
- Conselho Nacional do Laicato do Brasil – CNLB – Regional Sul 1
- Escola de Governo de São Paulo
- Fundação Lama Gangchen para Cultura de Paz
- Greenpeace Brasil
- Iniciativa Popular Contra Usinas Nucleares
- Movimento Paulo Jackson – Ética, Justiça, Cidadania (Bahia)
- SAPE – Sociedade Angrense de Proteção Ecologica
- Tardö Ling – Centro de Desenvolvimento Humano Cultural e Filosófico.
- Setorial Ecossocialista do PSOL

Organizações apoiadoras

- Fundação Software AG
- Federação das escolas Waldorf do Brasil
- Associação Comunitária Monte Azul
- Fórum pela Humanização do Social
- Ibase – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas
- TERRA VERDE E AZUL
- Agora Em Defesa do Eleitor
- Ceagua-Centro de Educação Ambiental/Guararema/SP.

NOVOS APOIOS SERÃO PUBLICADOS EM BREVE NO SITE:
www.brasilcontrausinanuclear.com.br

COMPARTILHE, DIVULGUE, BAIXE E IMPRIMA O FORMULÁRIO, COLHA ASSINATURAS, ENVIE AS FOLHAS ASSINADAS PARA A CAIXA POSTAL INDICADA NO FORMULÁRIO!

CONVIDE TODOS SEUS AMIGOS CLICANDO NO BOTÃO ABAIXO DA FOTO DO EVENTO!!!

Links:

ARTICULAÇÃO ANTINUCLEAR BRASILEIRA
http://antinuclearbr.blogspot.com/

COALIZÃO BRASILEIRA CONTRA USINAS NUCLEARES
http://www.brasilcontrausinanuclear.com.br/proposta-de-emenda-a-constituicao/

INICIATIVA POPULAR CONTRA USINAS NUCLEARES
https://www.facebook.com/groups/iniciativapopularantinuclear/

CAMPANHA "BRASIL LIVRE DE USINAS NUCLEARES"
https://www.facebook.com/event.php?eid=214504661953328

SEMANA ANTINUCLEAR:
http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Blog/semana-antinuclear-voluntrios-nas-ruas/blog/37790/

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Esclarecendo Fukushima -> Exemplo para o mundo

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Heitor Scalambrini Costa
(hscosta@ufpe.br)
Professor Associado da Universidade Federal de Pernambuco




Quando se pensa em acidentes nucleares, logo vêm à mente as tragédias mais recentes de Three Mile Island, ocorrida na Pensilvânia - Estados Unidos em 1979, e de Chernobyl, na Ucrânia em 1986. Nos dois casos, os acidentes foram causados por falhas que provocaram um superaquecimento no reator, e vazamento de material radioativo para a atmosfera.


Agora estamos acompanhando um desastre nuclear provocado pelo terremoto de 9 graus de magnitude que atingiu o Japão em 11 de março, provocando um tsunami que devastou inúmeras províncias costeiras.


A central nuclear atingida de Fukushima Daiichi, situada a 250 km a nordeste de Tóquio, é composta por seis reatores BWR (Boiling Water Reactor) que geram conjuntamente 4.696 MW elétricos. O combustível dos reatores é o MOX (novo combustível composto de urânio e de plutônio) bem mais reativo que os combustíveis padrões. O plutônio, que não existe em estado natural, é veneno químico extremamente violento, e é para o Japão sua maior fonte de energia, resultante do reprocessamento dos resíduos nucleares produzidos pelas usinas existentes em seu território.



Segundo a Tokio Electric Power Company (TEPCO), empresa de energia responsável pela usina nuclear de Fukushima, três dos seis reatores da central nuclear estavam ativos no momento do terremoto. Os outros três, estavam fechados para manutenção. O reator 1 teve seu sistema de resfriamento danificado o que provocou aumento considerável da temperatura no núcleo do reator, e assim como já admitido pelos órgãos de segurança nuclear japonês, ocorreu o derretimento do reator, liberando material altamente tóxico para a atmosfera. Os reatores 2 e 3 também estão apresentando problemas em seus sistemas de resfriamento, e também podem se fundir, aumentando de maneira catastrófica o desastre nuclear ocorrido.



Convenhamos que a explosão em uma usina nuclear, vista praticamente em tempo real por todo mundo, não é algo que possa ocorrer. E mais do que isso, após o desastre, os responsáveis dizerem que não sabem os motivos. O fato de não ter explicações para uma explosão ocorrida em uma usina sob sua responsabilidade demonstra que a empresa perdeu o controle da situação. Devemos lembrar que a empresa TEPCO, que está no centro da crise nuclear, tem um passado de escândalos e uma trajetória cheia de tropeços em sua atuação nuclear.


As lições que devemos retirar deste lamentável e trágico episódio é que mesmo com os avanços tecnológicos no setor da segurança, os perigos ainda existem. Aqueles defensores das usinas nucleares que chegaram a afirmar que o risco é zero ou praticamente inexiste a possibilidade de ocorrências de falhas, e conseqüentemente desastres nas usinas, devem calçar as “sandálias da humildade”. Devem admitir que não podemos permitir quaisquer riscos ligado com as usinas nucleares, simplesmente pela grande catástrofe, econômica, ambiental e social que possíveis acidentes, ocorrendo, podem legar a toda humanidade.


Daí é preciso repetir que o Brasil/Nordeste não precisa de usinas nucleares. Os recursos naturais e renováveis disponíveis como Sol, vento, água, biomassa são suficientes para atender nossa demanda energética.
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Argumentos contra as usinas nucleares

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Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco



Os atuais padrões de produção e consumo de energia estão apoiados nas fontes fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral), o que gera emissões de poluentes locais, gases de efeito estufa e põem em risco o suprimento a longo prazo do planeta, por serem finitas. É preciso mudar esses padrões, incentivar a economia de energia e estimular o uso das energias renováveis (solar, eólica e biomassa). Nesse sentido, o Brasil apresenta uma condição bastante favorável em relação ao resto do mundo.



Não existe uma fonte de energia que só tenha vantagens. Não há energia sem controvérsia, mas a nuclear, pelo poder destruidor que tem qualquer vazamento de radiação, não deve ser utilizada para produzir eletricidade, ao menos em nosso país, onde existem tantas outras opções.



Fica evidenciado que, desde 2005, a indústria nuclear intensificou seu agressivo lobby em diversos países da região, com forte influência nos setores legislativos e da política energética, tentando impor a implantação de usinas, sob o falso argumento de que a energia nuclear é uma fonte “limpa”, segura e contribui para combater o aquecimento global.



Com a retomada discutível e equivocada do Programa Nuclear Brasileiro, reiniciando as obras de construção de Angra 3, e os planos do Ministério de Minas e Energia de instalar no Nordeste usinas nucleares – a região do Brasil com maior potencial eólico e solar -, nada mais atual que discutir as razões contrárias a instalação de usinas nucleares no território nacional.



A opção nuclear para geração de energia elétrica no Brasil e no Nordeste, em particular, não permite resolver os atuais problemas energéticos, e contribuirá para com outros problemas sem solução à vista.



A seguir são apresentadas, sucintamente, as razões para rejeitar as usinas nucleares, vistas sob os seguintes aspectos:

- segurança energética,

- econômico,

- ambiental,

- social,

- riscos,

- proliferação e militarização nuclear,

- sustentabilidade energética,

- democracia.



Segurança energética



A segurança energética é um fator prioritário para o país e aumentará com a diversificação da matriz energética. Do ponto de vista da produção de energia, segundo a Empresa de Planejamento Energético-EPE, o país tem folga no abastecimento, podendo suprir as necessidades de energia elétrica, com as atuais taxas previstas de crescimento, por mais 5 anos. Portanto é puro oportunismo, criar uma relação direta entre os atuais apagões, que tem ocorrido freqüentemente no país todo, com a necessidade da instalação de usinas nucleares para evitá-los. Como que se os atuais apagões fossem decorrentes do desabastecimento, e novamente repetiríamos 2001/2002. Os defensores desta tecnologia associam enganosamente a instalação das novas usinas nucleares como solução aos apagões, que são ocorrências recorrentes do próprio modelo mercantilista empregado no país.



O fundamento principal para a construção de novas usinas de geração é de que existe uma previsão de crescimento da economia (sem que se questione a natureza do crescimento) e de que, em função disso, há necessidade de se ofertar mais energia para atender a esta demanda, construindo novas usinas.



Projeções do consumo futuro de energia dependem do tipo de desenvolvimento e crescimento econômico que o país terá. Existem vários questionamentos sobre os cálculos oficiais que apontam para taxas extremamente elevadas de expansão do parque elétrico brasileiro para atender a uma pretensa demanda. O que essa previsão esconde é o fato de praticamente 30% da energia elétrica ofertada pelo país é consumida por seis setores industriais: cimento, siderurgia, produção de alumínio, química, o ramo da metalurgia que trabalha com ferro e papel/celulose – 30% somente para seis setores. São exatamente eles que puxam o consumo da energia elétrica para cima, os chamados setores eletro-intensivos. Precisamos urgentemente discutir: energia para que? E para quem?



Temos de fugir dessa idéia míope de discutir qual a melhor fonte. A melhor fonte de energia é aquela que não é consumida. Não consumir energia significa ter uma política de aumento da eficiência energética, situação da qual estamos muito longe ainda. Os resultados oficiais apresentados nesta área são pífios.



No Brasil, o consumo de energia per capita ainda é pequeno e é indispensável que o consumo de energia cresça para promover o desenvolvimento sustentável. No entanto, nada impede que o uso de tecnologias modernas e eficientes sejam introduzidas logo no início do processo de desenvolvimento sustentável, acelerando com isso o uso de tecnologias eficientes (aquecimento solar da água, eletricidade solar, geradores eólicos, geração distribuída,... ). Contrapondo assim ao pensamento de que, para haver desenvolvimento, é preciso que ocorram impactos ambientais, devido a geração, transporte e uso da energia.



A conservação de eletricidade reduz o consumo e posterga a necessidade de investimentos em expansão da capacidade instalada, sem comprometer a qualidade dos serviços prestados aos usuários finais. A eficiência energética é, sem dúvida, a maneira mais efetiva de ao mesmo tempo reduzir os custos e os impactos ambientais locais e globais, suportando assim, conjuntamente com as fontes solar, eólica e biomassa; a segurança energética do país.



Aspectos econômicos



Do ponto de vista econômico, o custo de uma central nuclear é enorme, da ordem de R$ 10 bilhões. Geralmente este valor está aquém dos valores finais da obra. Nas planilhas de custos é subestimado (até não levado em conta) os custos de armazenamento dos resíduos, da desmontagem da central após sua vida útil e limpeza de locais contaminados, o reforço da linha elétrica para distribuição, e os serviços de fiscalização e segurança, entre outros. O chamado descomissionamento, representa o custo de desmontagem definitiva e descontaminação das instalações das usinas nucleares após o encerramento das suas operações. É preciso que se tenham garantias absolutas de que esse trabalho será levado a cabo com seriedade, e que as instalações e resíduos das usinas não serão simplesmente abandonados contaminados após o seu fechamento.



Como exemplo do que estamos falando, centrais nucleares que estão sendo planejadas atualmente na Finlândia, já estão custando o dobro do estimado antes do começo da obra. Já nos Estados Unidos, as usinas implantadas entre 1966 e 1986 tiveram, em média, custos 200% acima do previsto.



A história do nuclear mostra que esta sempre foi e continua a ser, mesmo com a nova geração de reatores, uma indústria altamente dependente de subsídios públicos. Isto significa que quem vai pagar a conta da imensa irresponsabilidade de se implantar estas usinas em nosso país, será a população de maneira geral, e em particular os consumidores, que pagarão tarifas cada vez mais caras.



Desde 2005, um dos mais conceituados centros tecnológicos do mundo, o Massachusetts Institute of Technology, tem assegurado que a energia nuclear não é competitiva sem subsídios. À mesma conclusão chegaram estudos publicados pelos jornais The New York Times e The Financial Times. Outro estudo ainda, publicado pela National Geographic Brasil (agosto 2005) aponta na mesma direção. E mais recentemente a revista britânica New Scientist listou argumentos que desfavorecem a energia nuclear: não sobrevive sem subsídios, os custos para pesquisa e desenvolvimento são altíssimos e também são insuportáveis os custos da disposição do lixo nuclear e do descomissionamento dos reatores, assim como a segurança nas usinas.



Para os brasileiros o maior impacto da instalação de usinas nucleares será nas tarifas. De 2001 a 2010, o aumento acumulado das tarifas de energia chegou a 186%, enquanto no mesmo período o IPCA (índice oficial de inflação do governo) acumulou 86%, segundo a Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia Elétrica (Abrace). E projeta que até 2014, o preço da energia subirá mais de 30%. Pagamos uma das mais altas tarifas do mundo, e com tendência de aumento. Sem nenhuma dúvida pode-se afirmar que o uso da eletricidade nuclear irá contribuir ainda mais para a elevação das tarifas de energia elétrica no Brasil.



Para aqueles que afirmam que o Brasil deve manter-se aberto para todas as possibilidades de aproveitamento na geração e oferta de energia elétrica, a médio e longo prazo, o desvio de recursos públicos para a opção nuclear será um verdadeiro obstáculo ao estabelecimento de políticas de incentivo e promoção de energias renováveis no país. O incentivo garantido às usinas nucleares deveria ser direcionado a outras fontes de geração de energia, muito mais seguras e limpas, como a eólica, solar e a biomassa.



O governo brasileiro mostra mais uma vez que está disposto a bancar a construção de grandes empreendimentos contraditórios e de resultados duvidosos, contrariando interesses divergentes que não tem sido considerado e nem incorporado no processo de negociação e decisão.



No caso de Angra III a estimativa de custos da obra, que era de R$ 7,2 bilhões em 2008, pulou para R$ 10,4 bilhões até o final de 2010, de acordo com a Eletronuclear. Isso sem contar os R$ 1,5 bilhão já empregado na construção e os US$ 20 milhões gastos anualmente para a manutenção dos equipamentos adquiridos há mais de 20 anos. Desde 2008, o custo de instalação por kW de Angra 3 subiu 44%, de R$ 5.330/kW para R$ 7.700/kW. Os gastos em usinas nucleares são um sumidouro de recursos públicos, e quem pagará por esta insanidade será o povo brasileiro.



Questão ambiental



Do ponto de vista ambiental é uma meia verdade, afirmações que as centrais nucleares não contribuem para os gases de efeito estufa, e que são “limpas”.



Em operação rotineira, as centrais nucleares pouco agridem o meio ambiente, porém expõem a sociedade ao risco de acidentes que liberam na biosfera produtos de fissão nuclear de alta radioatividade, que podem trazer conseqüências catastróficas a vida. Embora pequeno, tal risco existe, e não pode ser negligenciado. Ademais, essas usinas não resolveram o problema do que fazer com os rejeitos de alta radioatividade, cuja deposição final demanda pesados investimentos. Estima-se que estes rejeitos tenham que ficar isolados durante milhares de anos.



Na geração da eletricidade nuclear a produção de CO2 é muito pequena, mas se levarmos em conta o conjunto de etapas do processo industrial (chamado ciclo do combustível nuclear), que transforma o mineral urânio, desde quando ele é encontrado nas minas em estado natural até sua utilização como combustível dentro de uma usina nuclear é produzido quantidades consideráveis de gases de efeito estufa. Portanto, além das elevadas emissões de carbono, geram resíduos tóxicos altamente radioativos e contribui com agressões ambientais. Além de uma central nuclear consumir elevados volumes de água para sua refrigeração, tendo sua instalação obrigatoriamente ser próxima a grandes recursos hídricos (rios, mares, ....).



Portanto, se levarmos em conta todo o ciclo para preparar o combustível nuclear que será “queimado” nas centrais, pode-se afirmar que esta fonte energética é uma importante fonte de emissões, que são produzidas na prospecção do mineral, na extração e no transporte de urânio, no transporte dos resíduos para processamento ou armazenagem e no futuro descomissionamento.



Vários estudos científicos têm monstrado que o ciclo do urânio é um grande consumidor de energia e um forte emissor de CO2. O estudo americano “Nuclear Power: The Energy Balance” (2005), que compara as emissões de CO2 analisando o ciclo de vida de uma central nuclear e de uma central a gás natural (com uma potência equivalente) chega à conclusão que, no longo termo, com o decréscimo da qualidade das reservas de urânio, a eletricidade nuclear provoca muito mais emissões que o gás natural consumido na termoelétrica.



O cálculo que faz a Oxford Research Group chega a 113 gramas de CO2 por kWh gerado. Isso é aproximadamente o que produz uma central a gás. Portanto, existe um mito, um afã de descartar, cortar e mostrar de maneira parcial a realidade desta fonte de energia.



Já de acordo com a metodologia de Storm e Smith para o cálculo de emissões, o ciclo de geração por fontes nucleares emite de 150 a 400 g CO2/kWh, enquanto o ciclo para geradores eólicos emite de 10 a 50 g CO2/kWh.



Segundo dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) considerando a mineração do urânio, o transporte, o enriquecimento, a posterior desmontagem da usina e o processamento e confinamento dos rejeitos radioativos, esta opção produz entre 30 e 60 gramas de CO2 por kWh gerado.



Verifica-se então grande contradição nos números relacionados as emissões, e que existe uma polêmica e dúvidas sobre a capacidade de emissão de gases de efeito estufa, ao utilizar o urânio para gerar eletricidade. Creio que neste caso o aconselhável seja uma ação preventiva, de não utilização desta fonte de energia.



No caso brasileiro, embora a extração do urânio utilizado pelas usinas ocorra em território nacional, antes ele vai para o Canadá, onde é transformado em gás e, em seguida, para a Europa, onde é enriquecido. Reparem que só nestes deslocamentos, não só existe a emissão de gases proveniente do transporte e do consumo de energia, mas também um grande risco da exposição dos materiais radioativos, ao realizarem viagens intercontinentais.



Aspectos sociais



É comum os defensores da tecnologia nuclear mencionarem com destaque, o impacto revolucionário de um empreendimento de R$ 10 bilhões, pode representar na economia local. Do ponto de vista da empregabilidade e dos ganhos financeiros para o município-estado que abrigar a usina nuclear, há uma falsa retórica de que os investimentos automaticamente favorecerão os moradores do entorno das instalações.



È bom lembrar aos desavisados que os vendedores da usina são responsáveis pelo fornecimento da ilha nuclear, chamada de Nuclear Steam Supply System (NSSS), e pelo layout da planta, o que representa aproximadamente 20% do custo total do capital. Os custos restantes são despendidos na contratação de empresas de engenharia e arquitetura e em fornecedores de sistemas e componentes.



A ausência de companhias com capacidade de projeto, fabricação e prestação de serviços de engenharia na região, ou mesmo no país, acaba exigindo a contratação de empresas do exterior e a realização de importações. Em geral, isso resulta em negociações que consomem tempo, extensões de prazos de entrega, dificuldades com a qualidade, transporte de equipamentos e outros problemas similares. Isso explica porque alguns vendedores de usinas têm procurado expandir suas responsabilidades para 50% ou 60% do orçamento total da obra, a fim de ter maior controle sobre a execução da usina.



Portanto não acreditem nestes benefícios mágicos trazidos “pelo progresso” representado por uma usina nuclear. Como exemplo, a época das obras da usina nuclear de Angra 1 chegou a 11 mil homens trabalhando no período de maior movimentação da obra. Eles trouxeram também suas famílias e isso gerou um contingente humano imenso que a cidade teve que abrigar. Muita gente veio de outros estados. E se instalou o caos urbano sem que a cidade de Angra dos Reis pudesse atender os que chegavam com os serviços básicos. A migração desordenada em grandes obras no país é uma realidade incontestável.



Por outro lado, acreditar que a mão-de-obra utilizada na construção e gerenciamento de uma usina nuclear no Brasil/Nordeste seja mão-de-obra da região, é de que os royalties provenientes da usina serão maciçamente aplicados em ações sociais e ambientais, é a mesma coisa que acreditar em Papai Noel, Saci-Pererê, Mula sem Cabeça e tantas outras figuras do imaginário popular.



Em comparação com a tecnologia eólica ou solar, a energia nuclear cria poucos empregos. Energias renováveis precisam de trabalhadores locais para a construção local e para a manutenção. Os empregos são criados localmente e ficam no local, por isso as comunidades ganham.



Riscos



Atualmente são feitas afirmativas peremptórias de que as usinas nucleares apresentam alto grau de excelência tecnológica, como principal fator de garantia da segurança e o aumento da confiabilidade. Há uma tentativa de tranqüilizar as pessoas, afirmando que a evolução tecnológica dos últimos 30 anos levou as usinas nucleares a se modernizarem e serem praticamente imunes em relação a acidentes. São citadas nos discursos “de perigo zero” as novas usinas que estão em estudos, às chamadas de 4ª geração que utiliza o conceito de “falha para a segurança”.



Nestas usinas, afirmam que quando ocorrem falhas de operação, estas são corrigidas, levando a uma condição mais segura do que a anterior, ou seja, a correção das falhas se dá automaticamente, sem requerer necessariamente a intervenção dos operadores. Como se isto bastasse e fosse suficiente para impedir acidentes. É só verificar e comparar, que mesmo com os enormes avanços tecnológicos da indústria aeronáutica, acidentes ocorrem, como foi o caso do Airbus 330-200 da Air France/AF 477, pérola da indústria aeronáutica no que diz respeito à automatização e segurança.

E mais recentemente terremoto seguido de tsunami que atingiu usinas nucleares no Japão, as mais seguras do mundo. Houve vazamento de radiação (12/03/2011) de um reator do complexo nuclear de Fukushima Daiichi localizado ao norte de Tóquio (250 km), após uma explosão ter arrebentado o telhado da instalação depois do grande terremoto (11/03/2011), com vazamento de radiação. Os efeitos imediatos deste acidente nuclear, anunciados oficialmente foram de 160 pessoas contaminadas pela radiação, e 170.000 retiradas do entorno do reator, com uma área de exclusão que foi aumentando de 3 km, passando a 10 km e atualmente de 20 km de raio em torno do reator acidentado.



Sem dúvida a segurança das usinas nucleares teve avanços importantes, mas, seu relativo controle é suscetível a fatores humanos e da natureza. Não podemos apagar dos arquivos da memória, acidentes nucleares ocorridos nos últimos anos. Em Three Mile Island, na Pensilvânia - Estados Unidos em 1979, e em Chernobyl, na Ucrânia, 1986. Nos dois casos, os acidentes foram causados por falhas que provocaram um superaquecimento no reator, e vazamento de material radioativo para a atmosfera.



Sempre há um risco de contaminação com radiação, independente se a usina nuclear funciona perfeitamente com um bom sistema de segurança. Emissão de isótopos radiativos de césio e estrôncio sempre acontece. Isso é uma contaminação “normal”, conhecida na linguagem internacional como contaminação “standard” das usinas nucleares. Acidentes com vazamento de radioatividade já aconteceram em várias usinas nucleares no mundo. A população sofre mais tarde de doenças graves como leucemia, aumentando o nível de mortandade. Além da contaminação do lençol freático e das terras se tornarem impróprias ao plantio e criação de animais.



E mais: parte do lixo nuclear produzido na usina precisa ser depositado de forma totalmente isolada do meio ambiente em um período de tempo que pode chegar a mais de 240 mil anos. E até agora a tecnologia para garantir isso de forma perfeita ainda não existe.



A radioatividade dos resíduos do urânio processado nas centrais é muito elevada, com graves riscos para a saúde pública durante dezenas a centenas de milhares de anos. Ainda não foi encontrada uma solução satisfatória para o tratamento dos resíduos, hoje armazenados em locais temporários. Este é um pesado legado para as gerações futuras.



Mas, infelizmente, mesmo o controle rigoroso na operação da usina e em todo processo produtivo do elemento combustíve,l não nos livra de outros tipos de risco como roubo de rejeitos radioativos, ataques terrorista, terremotos, falhas humanas e mecânicas. E as conseqüências de um acidente nuclear são desastrosas, afetando a presente e futura geração.



A nova geração de reatores nucleares em construção na Finlândia (Olkiluoto 3) e na França (Flamanville 3), apresentados como a vanguarda do renascimento do nuclear, têm registrado uma série de atrasos, derrapagens orçamentais e problemas técnicos de segurança. Na Finlândia, o prazo de conclusão da central foi adiado por dois anos e os custos de construção quase que duplicaram para um valor de R$ 11,5 bilhões, com várias falhas na construção a implicar potenciais riscos de segurança. Na França, os problemas são semelhantes, tendo já sido mandada parar a construção pela Agência de Segurança Nuclear francesa por vários problemas técnicos de segurança registrados.



Até agora não se tem notícias de que algum acidente em usinas de geração de energia tenha tido proporções semelhantes a Chernobyl e o desastre de Fukushima Daiichi. Ainda que Itaipu fosse destruída, e a maior parte da Argentina fosse por água abaixo, não ficariam seqüelas em gerações sucessivas a exemplo do que ocorreu na Ucrânia e no Japão.



Outro fator de extrema preocupação, descrito no Relatório da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados publicado em 2006, é que o Estado brasileiro está longe de ter a estrutura necessária para garantir a segurança das atividades e instalações nucleares. Nesse documento são apontadas graves falhas na fiscalização e monitoramento do setor nuclear, destacando, entre outros problemas, a duplicidade de funções da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN atua, ao mesmo tempo, como Requerente, Operadora, Prestadora de Serviços, Licenciadora e Fiscalizadora de si própria.



Vale lembrar que, em setembro de 2011, completara 21 anos da contaminação com Césio 137 em Goiânia, que vitimou milhares de pessoas e ficou conhecido como o maior acidente radiológico do mundo.



Proliferação e militarização nuclear



No Brasil, historicamente, a relação entre o uso da energia nuclear para fins energéticos e para fins militares é muito estreita. O Programa Nuclear Brasileiro surgiu durante a ditadura militar e até hoje atende demandas de alguns setores das forças armadas, fascinados pelo poder que a energia nuclear lhes traz. Outros grupos de interesse fazem “lobby”, como setores industriais “preocupados” com o risco de um apagão, grupos de cientistas pelo prestígio e oportunidades de novas pesquisas e pelo comando do processo, os fornecedores de equipamentos e as empreiteiras, por motivos óbvios.



A exportação e a proliferação contínua de tecnologia nuclear aumentam significativamente o risco de proliferação de armas nucleares, existindo o risco de novos Estados se tornarem novas potências nucleares.



Mesmo neste cenário de degradação ambiental e social, a ameaça de nuclearização da América Latina é real, com o Brasil dividindo com a Argentina a liderança nessa corrida. Ambos têm jazidas de urânio significativas, processo de enriquecimento em curso, usinas e minireatores. O Brasil já tem acordo de cooperação com a Venezuela, que firmou acordo com a Rússia para cooperação na produção de equipamentos. Outros países da América do Sul estão discutindo a fonte nuclear como alternativa para suas demandas de energia, como a Bolívia, Equador e Uruguai. O Peru e o Chile que planejam construir usinas nucleares.



A ressurreição do Programa Nuclear Brasileiro é mais um dos indícios da estratégia governamental de tornar o Brasil uma potência atômica. O dinheiro empregado no programa, para a construção e funcionamento de novas usinas núcleoelétricas, permitirá a lubrificação de todas as suas engrenagens. A cada usina que construímos aumentaremos o volume de urânio que produzimos, aumentando assim o saldo com que se espera entrar definitivamente como sócios no Clube Atômico, e para tal é necessário ter a bomba atômica.



Devemos evitar para nosso país problemas de geopolítica que são gerados pelo o ciclo de combustível nuclear, a tal ponto que depois das tensões com a Coréia do Norte, atualmente o Irã está em sério perigo de ter seu território invadido militarmente por estar enriquecendo urânio para geração nuclear.



Abrir mão da energia nuclear significa um importante passo para evitar o perigo de uma nova onda de proliferação nuclear, dada a natureza dual da energia nuclear, que se presta tanto para aplicações pacíficas como militares, sem falar dos problemas físicos de segurança nuclear. Não devemos nos esquecer do que afirmou o físico Robert Oppenheimer, responsável pela construção da primeira bomba atômica, quando visitou o Brasil, em 1953: "Quem disser que existe uma energia atômica para a paz e outra para a guerra, está mentindo".



Sustentabilidade energética



A atual política energética e ambiental adotada, lamentavelmente tem levado o Brasil a caminhar na contramão do que vem sendo implementado em várias partes do mundo, que tem optado pelo uso de fontes renováveis de energia, não só na geração de energia elétrica, mas também no aquecimento de água solar que evita o consumo de eletricidade nos chuveiros. A noção de sustentabilidade energética descarta a eletricidade de origem nuclear como uma solução sustentável.



Na atual política de expansão da oferta de energia para o país, fica evidente o tratamento especial dado para a construção de mega-hidrelétricas na região Amazônica, de termoelétricas a carvão mineral e óleo combustível e a instalação de usinas nucleares.



Esse gigantismo para megaobras, típico de mentes tecnocráticas e autoritárias, beira a insensatez, pois, dada a atual crise ambiental global, são recomendadas obras menores, que valorizam matrizes energéticas com fontes de energia renováveis, que menos agridem o meio ambiente, e com produção descentralizada.



Se há um país no mundo que goza das melhores oportunidades ecológicas e geopolíticas para ajudar a formular um outro mundo necessário para toda a Humanidade, este país é o nosso. Ele é a potência das águas, possui a maior biodiversidade do planeta, as maiores florestas tropicais, a possibilidade de uma matriz energética menos agressiva ao meio ambiente – à base da água, do vento, do Sol, das marés, das ondas do mar e da biomassa.



Entretanto, ainda não acordamos para isso. E tudo isso nós temos em abundância. Nos fóruns mundiais vive em permanente estado de letargia política, inconsciente, “deitado eternamente em berço esplêndido”. Não despertando para as suas possibilidades e para a sua responsabilidade em face da preservação da Terra e da vida.



Em nosso país existem várias alternativas para aumentar a oferta de energia sem a construção de novas centrais, uma delas é incentivando a eficiência energética. Também são evidentes a abundancia dos recursos renováveis: solar, eólico e da biomassa para a diversificação e complementação da matriz energética. Simplesmente as vantagens comparativas destes energéticos renováveis não são levadas em conta.



Opções energéticas e a eficientização de processos e equipamentos são apresentadas pelos estudiosos da UNICAMP, USP, CHESF, UFPE, que levam em conta as possibilidades de redução da energia na demanda tanto do lado da oferta, como do lado do consumo. Além de apresentarem como fontes renováveis: a energia solar para aquecimento da água e para produção de eletricidade, energia eólica, usinas térmicas a bagaço de cana (bioeletricidade) e restos de produtos agrícolas, e energia das ondas do mar.



Democracia



A indústria nuclear é por sua natureza secreta e sem transparência. Em alguns países, foi criada uma polícia especializada para cuidar dos materiais radioativos contra o roubo pelos “terroristas”. Com este argumento, a indústria nuclear contribui para a diminuição dos direitos democráticos da sociedade, porque cria um “Estado de Segurança”.



A segurança das usinas geradoras e demais instalações nucleares (tratamento e enriquecimento de urânio, fabricação de elementos combustíveis, reprocessamento de combustíveis irradiados, depósitos de rejeitos etc.) implica importantes e custosos aparelhos policiais. Assim, países que optem pelas usinas nucleares em seus sistemas elétricos poderão ser forçados a adotar métodos próprios de Estados policiais.



É fundamental a necessidade de se discutir mais a questão energética. O debate de idéias e o confronto de interesses são instrumentos decisivos na formulação de uma estratégia energética sustentável e democrática. Daí a necessidade de ampliar os espaços de debate, hoje restritos aos gabinetes dos especialistas.



No caso da energia nuclear informações técnicas, econômicas, financeiras, de segurança, relatórios operativos, entre outros documentos são muitas vezes considerados sigilosos e não disponíveis publicamente. Esta fonte de energia acentua o caráter autoritário na condução da política energética no país.


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Heitor Scalambrini Costa, professor associado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), graduado em Física pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/SP), Mestrado em Ciências e Tecnologias Nucleares na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Doutorado em Energética, na Universidade de Marselha/Comissariado de Energia Atômica (CEA)-França.

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Reflexões sobre a estratégia do lobby nuclear

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Acho que seria oportuno analisar alguns aspectos da ação da indústria nuclear nos últimos tempos (principalmente dentro do Governo Lula) e suscitar uma reflexão sobre o quanto essa estratégia não é recorrente dentro do setor elétrico como um todo.

-> Fatos consumados: a indústria nuclear está muito empenhada em aprovar o pacote do Governo Lula para o setor o quanto antes e em tornar irreversível o máximo de projetos nele contidos.

-> Tudo ao mesmo tempo e agora: rapidez na tramitação das propostas e um número muito grande de ‘frentes de batalha’ abertas simultaneamente obrigam os opositores a se dividirem (em número de militantes, recursos financeiros e tempo) para conseguirem acompanhar o ritmo e a dispersão das ações ofensivas da indústria.

-> ‘Investimento’ na formação de uma nova opinião pública: a conquista de setores importantes da sociedade, promovendo a visita de universitários, jornalistas e parlamentares (vindos de várias partes do país e com todas as despesas pagas) às dependências da indústria.

-> Aproximação com a comunidade científica: ajudar a academia a superar a eterna barreira das parcas verbas de pesquisa, contratando seus pesquisadores, encomendando seus serviços, colaborando na melhoria de seus laboratórios e gabinetes e garantindo que tenha uma visão mais generosa de seus mecenas.

-> Responsabilidade social: satisfação de aspirações e necessidades de comunidades carentes (e, às vezes, não tão carentes) existentes nas proximidades dos empreendimentos propostos, antecipando-se ao surgimento de opositores.

-> Progresso e desenvolvimento: a oferta de vantagens como empregos (de todos os tipos: qualificados ou não, bem remunerados ou nem tanto, temporários ou permanentes, em empresas terceirizadas ou em cargos de confiança do serviço público), de benfeitorias (que rendam ganhos eleitorais para os políticos locais) e, mais modernamente, de royalties sobre aquilo que for produzido.

-> Revisão daquilo que ignoramos: eliminação ‘a posteriori’ dos entraves legais à realização de projetos concebidos e propostos em desacordo com a legislação vigente; esta prática tem sido muito usual e é conhecida popularmente como ‘levar no peito’.

-> Uma mão lava a outra: uma empresa estatal detentora de péssima imagem pública ‘compra’ espaços publicitários em um respeitado jornal de circulação nacional, colaborando para o equilíbrio financeiro daquele veículo, mas garantindo que esse órgão de imprensa passe a ter a ‘visão certa’ de temas ou projetos de seu interesse.

-> Cozinha: uma variação da prática acima: uma empresa estatal de irresponsável conduta pública produz internamente reportagens que lhe são muito favoráveis e faz parecer que estas foram realizadas de maneira independente pelo jornal que as publicou.

-> Fritar o peixe olhando o gato: uma sofisticação da prática anterior, um grandessíssimo banco público ou uma empresa petrolífera estatal muito falada ‘compra’ enormes espaços publicitários em um respeitado jornal de circulação nacional, colaborando para sobrevivência financeira daquele veículo, mas, em troca exige que outro jornal ou revista do mesmo grupo econômico passe a ter a ‘visão certa’ de temas ou projetos de interesse do governo.

Para finalizar, um exemplo da comunicação da indústria nuclear com as crianças e adolescentes das comunidades afetadas por seus projetos. Essa cartilha tem sido largamente distribuída nas escolas públicas de diferentes pontos do país.

Fonte: Este relatório foi escrito pelo ambientalista Sérgio Dialetachi e reflete as suas observações do workshop “Energia Nuclear no Nordeste” e as suas opiniões pessoais sobre os planos de construção de novas usinas nucleares no Brasil.
Sérgio Dialetachi participou do evento em Recife a convite da Fundação Heinrich Boell.

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