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Propina Nuclear

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No inquérito sobre corrupção na Petrobras (denominada operação lava-jato) surgiu suspeitas de fraudes sobre negócios do grupo Eletrobrás, composto de 15 empresas estatais responsáveis por mais de um terço da energia consumida no país, com patrimônio superior a R$ 60 bilhões.
Todo esse conjunto de empresas está sob investigação por iniciativas coordenadas entre o Ministério público (MP), Tribunal de Contas da União (TCU) e Policia Federal (PF). Além de suas contas estarem sendo auditadas pela Hogan Lovells, escritório de advocacia americano contratado pela Eletrobrás.

As suspeitas sobre negócios escusos foram reforçadas em depoimentos de executivos de empreiteiras, de ex-diretores da Petrobras e de agentes de distribuição de propinas. Foi nessa rede que caiu o diretor presidente da Eletronuclear, uma das menores subsidiárias do grupo Eletrobrás, o almirante da marinha brasileira Othon Luiz Pinheiro da Silva.
Nesta investigação envolvendo propinas na construção de Angra 3 também esta sob investigação acusados de receber subornos, o ex ministro das Minas e Energia Edson Lobão, o ministro do TCU Raimundo Carreiro e o advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do TCU.

O almirante Othon ficou conhecido por liderar, no auge da ditadura militar, a equipe que desenvolveu o Programa Nuclear Paralelo (entre 1979 e 1994) iniciativa militar no âmbito da antiga Coordenadoria de Projetos Especiais da Marinha, em que foram gastos, segundo revelado pelo próprio almirante, US$ 667,9 milhões. O objetivo era bélico com o desenvolvimento de tecnologia em enriquecimento de urânio, e assim produzir artefatos nucleares. Tudo a margem do projeto de construção das usinas nucleares.

No início do primeiro governo Lula o almirante foi convidado como conselheiro presidencial, e em seguida, em 2005 assumiu a presidência da Eletronuclear. Em 2009 se deu a retomada da construção de Angra 3, parada há 23 anos. 

O ex todo poderoso Othon, agora encarcerado é acusado de receber R$ 9,8 milhões de propina de empreiteiras contratadas para o projeto da 3ª usina nuclear em Angra dos Reis (RJ), entre 2009 e 2014. Este dinheiro, segundo a investigação saíram dos cofres de empreiteiras com obras em Angra 3 (Andrade Gutierrez, Engevix, Camargo Corrêa, ...), passaram pelo caixa da Link Projetos e Participações e chegaram na empresa familiar que o almirante era sócio, a Aratec Engenharia Consultoria & Representações. O ”modus operandi” destas transações criminosas é semelhante ao ocorrido na Petrobras, utilizando empresas de fachada para repasses de propinas. 

Inicialmente detido em regime de prisão temporária, depois convertida em preventiva, na prática o ex-presidente da Eletronuclear (em 6/8 a Eletrobrás anunciou seu pedido de demissão ) não tem prazo para ser solto. O juiz justificou sua decisão ao escrever no despacho, que “são robustas as provas do pagamento de propina a Othon Luiz em decorrência do cargo exercido na Eletronuclear e mediante a simulação de contratos de consultoria fraudulentos”.
Este episódio envolvendo o executivo principal da Eletronuclear é gravíssimo, e suficiente para a interrupção das atividades nucleares no país, em particular a construção de Angra 3, com o congelamento de novas instalações. Espera-se que todas as denúncias sejam investigadas e apuradas as responsabilidades.

Não se pode mais ignorar as objeções técnicas ao projeto de Angra 3. Como as denúncias com relação à obsolescência dos equipamentos tecnologicamente defasados, e que não atende aos requisitos internacionais de segurança, comprometendo o seu funcionamento e aumentando o risco de um desastre nuclear. Assim nem as seguradoras querem ter Angra 3 como cliente.
Também os altos custos na construção da usina, estimados para mais de  R$ 18 bilhões depois de pronta, vai de encontro ao próprio discurso oficial de oferecer energia elétrica a tarifas  módicas ao consumidor final.

É inaceitável e não se admite que a decisão de construir centrais nucleares no país tenha sido feita em um mero balcão de negócio, sem a necessária salvaguarda da vida das pessoas.

Fonte: Heitor Scalambrini Costa - Professor da Universidade Federal de Pernambuco
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Governo prepara novo cronograma para construção da usina de Angra 3

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A Eletronuclear pode apresentar um novo cronograma para as obras da usina nuclear Angra 3 em maio - data estimada para o término da licitação que define o consócio que fará a montagem eletromecânica da usina - e o início da operação poderá ser adiado para 2016. "[O início da operação] Estava previsto para dezembro de 2015, possivelmente será no início de 2016", disse o assistente da presidência da Eletronuclear, Leonam Guimarães.

O executivo frisou, no entanto, que o cronograma final só poderá ser divulgado com exatidão quando o consórcio vencedor estiver definido. "Qualquer mudança no cronograma agora é especulação", frisou Guimarães. "Quando [o consórcio] estiver no canteiro, o dia que ele estiver, a gente atualiza e dá uma nova estimativa de início da operação comercial", disse Guimarães, depois de apresentar, ontem, uma palestra no congresso de energia EnerGen LatAm 2012.

Angra 3, que começou a ser construída em 2010, será a terceira usina da central nuclear de Angra dos Reis e terá potência de 1.405 MW. O orçamento total definido para Angra 3 é de R$ 10 bilhões, 70% em moeda nacional. Da parcela nacional, 70% caberá ao BNDES e 30% tem o financiamento da Reserva Global de Reversão e recursos próprios da Eletrobras. Os 30% financiados no exterior são proveniente de um pool de bancos europeus, liderados Société Générale que, segundo Guimarães, será empenhado "fundamentalmente" para o pagamento do contrato com a Areva, que fornecerá o sistema de instrumentação e controle.

Guimarães negou que o cronograma das obras, que estão ainda na parte civil, tenha sido atrasado pela greve de dois dias dos trabalhadores, iniciada no domingo. "Isso causa sem dúvida algum prejuízo para a construtora [ Andrade Gutierrez ], mas é prejuízo dela." Os 4 mil funcionários que trabalham na obra aderiram à paralisação.

Os operários, segundo o assessor da presidência da Eletronuclear, se queixaram de três funcionários da construtora que seriam "excessivamente rígidos" e os tratavam mal, além de algumas reivindicações relacionadas à alimentação no canteiro. "A direção da Andrade no canteiro chegou a um acordo", disse.

O executivo voltou a afirmar que o atlas do potencial nuclear no Brasil seria apresentado no início do ano passado. "Certamente o ambiente não ficou muito favorável, dada toda a comoção que o terremoto no Japão e o acidente de Fukushima trouxeram", disse. Segundo ele, o Plano Nacional de Energia 2035 pode ser divulgado este ano e trazer novidades para a energia nuclear. "O horizonte de expansão da hidroeletricidade [principal fonte brasileira] para lá de 2025 é limitado", disse. "E depois disso?", questionou, ressaltando a necessidade de aumentar a oferta de energia no país.

Autor(es): Por Marta Nogueira | Do Rio
Valor Econômico - 02/02/2012
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POR UM BRASIL LIVRE DE USINAS NUCLEARES

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CAMPANHA NACIONAL PARA COLHER ASSINATURAS, PROMOVIDA POR IMPORTANTES ENTIDADES BRASILEIRAS:
PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO, PELA INICIATIVA DOS CIDADÃOS, POR UM BRASIL LIVRE DE USINAS NUCLEARES
a) Para vedar a construção, a instalação e o funcionamento de usinas que operem com reatores nucleares para a produção de energia elétrica em qualqu...er ponto do território brasileiro;

b) Para determinar a desativação das usinas nucleares Angra I e Angra II, e seu desmantelamento no prazo de vinte anos;

c) Para determinar a imediata interrupção e o desmantelamento das obras da usina Angra III no prazo de dez anos.

Abra ou baixe o formulário para as assinaturas pelo endereço:
http://www.syntonia.com/antinuclear/FORMULARIO-PEC-ANTINUCLEAR.PDF

Abra ou baixe a proposta completa pelo endereço:
http://www.syntonia.com/antinuclear/PROPOSTA-PEC-ANTINUCLEAR.PDF

Organizações proponentes:

- Aliança pela Infância do Brasil
- Coalizão Brasileira contra Usinas - Nucleares
- Conselho Nacional do Laicato do Brasil – CNLB – Regional Sul 1
- Escola de Governo de São Paulo
- Fundação Lama Gangchen para Cultura de Paz
- Greenpeace Brasil
- Iniciativa Popular Contra Usinas Nucleares
- Movimento Paulo Jackson – Ética, Justiça, Cidadania (Bahia)
- SAPE – Sociedade Angrense de Proteção Ecologica
- Tardö Ling – Centro de Desenvolvimento Humano Cultural e Filosófico.
- Setorial Ecossocialista do PSOL

Organizações apoiadoras

- Fundação Software AG
- Federação das escolas Waldorf do Brasil
- Associação Comunitária Monte Azul
- Fórum pela Humanização do Social
- Ibase – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas
- TERRA VERDE E AZUL
- Agora Em Defesa do Eleitor
- Ceagua-Centro de Educação Ambiental/Guararema/SP.

NOVOS APOIOS SERÃO PUBLICADOS EM BREVE NO SITE:
www.brasilcontrausinanuclear.com.br

COMPARTILHE, DIVULGUE, BAIXE E IMPRIMA O FORMULÁRIO, COLHA ASSINATURAS, ENVIE AS FOLHAS ASSINADAS PARA A CAIXA POSTAL INDICADA NO FORMULÁRIO!

CONVIDE TODOS SEUS AMIGOS CLICANDO NO BOTÃO ABAIXO DA FOTO DO EVENTO!!!

Links:

ARTICULAÇÃO ANTINUCLEAR BRASILEIRA
http://antinuclearbr.blogspot.com/

COALIZÃO BRASILEIRA CONTRA USINAS NUCLEARES
http://www.brasilcontrausinanuclear.com.br/proposta-de-emenda-a-constituicao/

INICIATIVA POPULAR CONTRA USINAS NUCLEARES
https://www.facebook.com/groups/iniciativapopularantinuclear/

CAMPANHA "BRASIL LIVRE DE USINAS NUCLEARES"
https://www.facebook.com/event.php?eid=214504661953328

SEMANA ANTINUCLEAR:
http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Blog/semana-antinuclear-voluntrios-nas-ruas/blog/37790/

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Eletricidade nuclear e as tarifas

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Heitor Scalambrini Costa (hscosta@ufpe.br)
Professor Associado da Universidade Federal de Pernambuco
           


Os impactos do desastre nuclear na central de Fukushima, no Japão, devem ter efeito imediato nos preços das centrais projetadas no mundo e no Brasil. A exigência de sistemas de segurança mais eficientes e uma alta no preço dos seguros tendem a encarecer ainda mais a eletricidade nuclear.

Os custos de uma usina nuclear crescem proporcionalmente com o nível de confiabilidade e segurança exigidos. Quanto menores forem os investimentos na confiabilidade e segurança do suprimento energético, maior será a exposição aos riscos das catástrofes naturais, das falhas humanas e das falhas mecânicas e elétricas que podem ocorrer na instalação. Após este acidente no Japão, especialistas confirmam a necessidade de novos esforços tecnológicos para aumentar a segurança das instalações.


No Brasil, verifica-se que as condições de financiamento de Angra 3 são controversas, já que a Eletronuclear assumiu uma taxa de retorno para o investimento entre 8% e 10% - muito abaixo das praticadas pelo mercado, que variam de 12% a 18%. Somente uma taxa de retorno tão baixa pode viabilizar a tarifa projetada de R$ 138,14/MWh anunciada pelo governo federal para essa usina. A operação a baixas taxas de juros revela o subsídio estatal à construção de Angra 3. Os subsídios governamentais ocultos no projeto dessa usina nuclear são perversos, porque serão disfarçados nas contas de luz. Se isso se verificar quem vai pagar a conta seremos nós os usuários, que já pagamos uma das mais altas tarifas de energia elétrica do mundo.

Ainda no caso de Angra 3, a estimativa de custos da obra, que era de R$ 7,2 bilhões em 2008, pulou para R$ 10,4 bilhões até o final de 2010, de acordo com a Eletronuclear. Isso sem contar os R$ 1,5 bilhão já empregado na construção e os US$ 20 milhões gastos anualmente para a manutenção dos equipamentos adquiridos há mais de 20 anos. Desde 2008, o custo de instalação por kW desta usina subiu 44%, de R$ 5.330/kW para R$ 7.700/kW.

A título de comparação, a energia da hidrelétrica de Santo Antônio, foi negociada a uma tarifa de R$ 79/MWh, a hidrelétrica de Jirau, o preço foi de R$ 91/MWh (ambas no Rio Madeira), a hidrelétrica de Belo Monte (Rio Xingu), o preço foi de R$ 78,00/MWh, e o resultado do primeiro leilão de energia eólica no Brasil deixaram o MWh em torno de R$ 148. Bem mais reduzido que o apontado pela Empresa de Planejamento Energético (EPE), que usou um preço mais alto da energia eólica para justificar a suposta viabilidade econômica da opção nuclear.

O custo das usinas nucleares que se pretende construir até 2030, duas no Nordeste e duas no Sudeste é enorme, da ordem de R$ 10 bilhões cada uma. Valor este que poderá ser acrescido de 20 a 40% até o final da obra, como tem se verificado comumente, no caso de grandes obras em realização/realizadas no Brasil. As tarifas previstas para a eletricidade nuclear gerada nestas novas instalações são incertas, de cálculos não transparentes, mas que certamente afetará de maneira crescente a tarifa da energia elétrica no país.

A história do nuclear mostra que esta sempre foi e continua a ser, mesmo com a nova geração de reatores, uma indústria altamente dependente de subsídios públicos. Isto significa que quem vai pagar a conta da imensa irresponsabilidade de se implantar estas usinas em nosso país e na nossa região, será a população de maneira geral, e em particular os consumidores, que pagarão tarifas cada vez mais caras.

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Acidente em usina nuclear japonesa preocupa população de Angra dos Reis

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Flávia Villela
Da Agência Brasil

O recente acidente nuclear no Japão reacendeu a polêmica em torno desse tipo de geração de energia e está causando preocupação entre as populações que vivem próximas a usinas. Mesmo em Angra dos Reis, na costa verde fluminense, onde não existe risco de tsunamis ou terremotos, parte da população está ainda mais aflita com um possível vazamento radioativo nas usinas Angra 1 e 2, criadas na década de 70. Uma possível falha humana ou no reator seria o suficiente para uma tragédia na região, que possui cerca de 200 mil habitantes.


O presidente da Associação dos Pescadores do 4º Distrito de Angra dos Reis, José Carlos Pedrosa, diz que, em caso de necessidade de fuga ou de emergência, não há estradas adequadas e o medo ronda o bairro onde mora, Parque Manbucaba, próximo às usinas.

“É preocupante você deitar e saber que tem uma usina praticamente no quintal da sua casa. Apesar de falarem que 10 quilômetros (km) de distância é uma área segura, lá no Japão ampliaram de 10 para 20 quilômetros e, agora, para 30, pois corre o risco de o acidente ser mais grave. Só que, aqui, as estradas não são suficientes.”

O pescador lembrou que as quedas de barreiras são constantes e a Rodovia Rio Santos (BR 101 sul) “vive interditada”. “O acesso mais rápido para se atingir a [Via] Dutra é subindo a serra pela Saturnino Braga, mas tem um projeto de uma estrada de uns 90 km desde a criação da Angra 1 que nunca saiu do papel. Não dá para evacuar com rapidez.”

O assistente da presidência da Eletronuclear, agência que opera as usinas, Leonam Guimarães, explicou que, embora um fenômeno natural como o que ocorreu no Japão seja praticamente impossível no Brasil, não se pode descartar outros tipos de acidentes. Leonam garantiu, entretanto, que o plano de emergência é rigorosamente idêntico ao adotado no Japão, onde o procedimento de evacuação foi realizado com êxito.

“E tenho certeza de que aqui a evacuação poderá vir a ser feita com muito menos dificuldade do que no Japão, pois lá eles estão em meio a um cenário de caos e, além disso, no entorno das usinas do Japão, a população é muito maior do que no Brasil.”

O funcionário da Eletronuclear explicou que na zona de planejamento de emergência, de até 10 km de Angra dos Reis, existem cerca de 22 mil pessoas. No Japão, o número de pessoas que moravam perto das usinas era de, aproximadamente, 80 mil pessoas.

Leonam ressaltou que as instalações das usinas no Japão foram as que mais resistiram ao terremoto e ao tsunami. “Todas as instalações industriais foram afetadas. Milhares de pessoas devem ter morrido de imediato com a explosão da refinaria de Ichibara, de gás natural.”

De acordo com a Defesa Civil do Estado do Rio, há um plano de emergência preventivo, de padrão internacional, que é colocado em prática todo o ano. De dois em dois anos, o “exercício” envolve a participação da população dentro da zona de planejamento de emergência – um raio de 15 km da central. Além disso, os moradores são convidados a participar de palestras. Anualmente, são distribuídos calendários com uma série de instruções e revistas para o público mais jovens. Cerca de 300 a 500 pessoas participam voluntariamente das etapas do plano de evacuação.

O pescador Carlos Pedrosa participa dos exercícios e confirma a distribuição dos folhetos explicativos, mas tem dúvidas de que isso baste para evitar um desastre. “Será que só isso basta? O plano de evacuação realmente existe, mas por onde fugir? Sempre nas reuniões voltamos a falar sobre os problemas das estradas e eles [autoridades] respondem que os projetos vão sair. Mas nunca saem.”

Dono de uma distribuidora de bebidas no bairro de Balneário, a cerca de 30 km das usinas, Magno Célio Pio da Costa reclama da falta de informação sobre os planos de fuga. Ele acha que a divulgação e os exercícios deveriam ser feitos em um raio maior.

“Nunca me entregaram nenhum panfleto explicativo. Só uma minoria participa dos exercícios que são longe daqui. Quem mora no bairro morre de medo. No caso de um acidente, saio correndo pelo mar, nem que seja num toco de madeira, porque pela [rodovia] Rio Santos, cheia de quebra-molas e barrancos, não dá”.
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BNDES aprova financiamento de mais de R$ 6 bi para construção de Angra 3

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Rio de Janeiro – Um financiamento de R$ 6,1 bilhões para a Eletrobras Termonuclear foi aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O anúncio foi feito nesta quarta-feira (29/12) pela instituição. O dinheiro será usado nas obras de construção da Usina Nuclear Angra 3, em Angra dos Reis, no litoral sul fluminense.

A construção da usina, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), vai gerar cerca de nove mil empregos diretos e mais 500 quando Angra 3 entrar em operação. A usina terá potência instalada de 1.405 megawatts (MW) - energia equivalente a um terço do consumo do estado do Rio de Janeiro.

As informações da BNDES indicam que o banco participará com 58,6% do investimento total do projeto. Angra 3 será conectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) por meio de linha de transmissão em operação, utilizada para escoar a energia produzida pelas usinas Angra 1 (capacidade instalada de 657 MW) e Angra 2 (1,3 mil MW).

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Ministério Público Federal determina suspensão das obras de Angra 3

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O Ministério Público Federal (MPF) em Angra dos Reis recomendou a suspensão das obras de construção da Usina Nuclear Angra 3, no litoral sul fluminense, até que a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) faça uma análise probabilística de segurança e acidentes severos. Caso a recomendação não seja atendida no prazo de dez dias, o MPF ajuizará uma ação civil pedindo o seu cumprimento.
O procurador Fernando Amorim Lavieri, que fez a recomendação na noite de de quinta-feira (24/6), informou que uma norma da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) prevê que essa análise seja feita antes do licenciamento de usinas nucleares. Segundo ele, no caso de Angra 3, a licença concedida pela Cnen determina que o estudo seja apresentado no relatório final de análise de segurança.
Na opinião do procurador, “foge a qualquer critério de racionalidade admitir que estudos que devem ser considerados na aprovação/elaboração da usina sejam apresentados somente após a sua construção”. “Se a análise for concluída apenas no fim das obras, não tem como ser usada no projeto de Angra 3. Não tem lógica”, afirmou Lavieri.
O procurador informou que a Cnen tinha conhecimento dessa norma da Aiea desde 2008, época em que foi expedido um relatório de funcionários da área técnica do órgão regulador sobre o tema.
Na recomendação, Lavieri lembra que o projeto de Angra 3 é da década de 70 e, portanto, anterior ao acidente da Usina Three Mile Island, em 1979, nos Estados Unidos. A partir desse acidente foram feitas várias modificações nas normas de segurança nuclear.
O procurador acredita que o problema será resolvido de forma amistosa, sem que seja preciso recorrer a uma ação na Justiça. “Acho que, se prevalecer o bom-senso, vão acolher a recomendação e não haverá necessidade de ação civil. Se for à Justiça, pode demorar demais”, disse Lavieri.
A Comissão Nacional de Energia Nuclear concedeu, no dia 31 de maio, licença definitiva para a construção de Angra 3, um investimento de R$ 8,4 bilhões.
Até agora, a Agência Brasil não conseguiu entrar em contato com a Cnen e a Eletronuclear, responsável pelas obras de Angra 3.

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Falta de segurança na Rodovia Rio-Santos

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Segue a triste ironia do destino em que vive o município de Angra dos Reis com relação a Rodovia Rio-Santos! Uma pena que nenhuma autoridade pública Federal, Estadual e Municipal até o momento foi penalizada judicialmente com os "rigores" da lei diante da falta de segurança desta estrada pois, são essas autoridades públicas que aprovam o simulado do PLANO DE EMERGÊNCIA das usinas nucleares Angra I e II, realizado a cada dois anos em nossa cidade, para testarem a retirada da população pela rodovia RIO - SANTOS num eventual e muito remoto sinistro, que possa envolver as atividades nucleares instaladas neste município. 
Só nos resta um sinistro de fato para despertar as sonolentas autoridades sobre esta realidade que denúnciamos a décadas! Fui condenado por obstruir com um caminhão de pedra marroada esta rodovia durante um desses exercícios mentirosos do plano de emergência e agora a natureza esta nos mostrando o que irá acontecer caso seja necessário utilizar esta única válvula de escape que o município possui para retirada da população dos seus lugares de origem. Não adianta dizer que esta possibilidade é remota, pois sabemos, que o plano de emergência é a parte principal com relação aos perigos desta atividade e são gastos cifras consideradas em segurança externa e interna, nessas usinas nucleares. E não se esqueçam que os estudos do Plano de Emergência são realizados pela COPPE/UFRJ! A precaução e a prevenção devem ser sempre o fio condutor de toda ação humana em todos os setores, quanto mais, no que diz respeito as atividades que podem ser nocivas ao meio ambiente e a humanidade.
..."ROLAM AS PEDRAS 
DEVEM ROLAR"... 
(kiko zambianchi)

<- Ivan Marcelo Neves
ISABI/APEDEMA-RJ/Secretário Executivo do FBOMS 
PEDRA DE 500 T ATRAPALHA TRáFEGO NA RODOVIA RIO-SANTOS
O tráfego de veículos na Rodovia Rio-Santos continuará com barreiras durante todo o feriadão de Corpus Christi. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) informou nesta sexta-feira que só na próxima semana vai implodir uma pedra de cerca de 500 t, que interdita parte da rodovia. O deslizamento ocorreu na última quarta-feira, na altura do km 455 da Rio-Santos (BR 101 Sul), em Angra dos Reis (RJ)

O deslizamento foi provocado pelas fortes chuvas que atingiram a região no começo da semana, causando o desabamento de 30 pedras de 10 a 15 t e dessa maior, de 500 t. A pista, no sentido Rio, está funcionando no sistema pare e siga, onde se localiza a pedra.
O supervisor do Dnit em Angra dos Reis, Arysson Siqueira Silva, afirmou que a remoção total ainda não foi feita, pois a pedra maior terá de ser demolida por meio de pequenas explosões, o que pode levar dias. Além disso, há um condomínio no local do deslizamento que poderia ser afetado se fosse feita uma grande explosão.
"Os serviços já começaram, mas têm de ser feitos aos poucos para manter a segurança dos hóspedes e funcionários do Hotel Portogalo", afirmou Silva.
Pedro Honorato, recepcionista do hotel, disse que o fato não alterou a rotina dos hóspedes, mas que tem medo do tempo chuvoso. "O problema é voltar a ter chuva forte na região e provocar outro deslizamento, mas se o tempo continuar ensolarado, nós ficamos mais tranquilos e o trânsito flui bem", explicou.
Desde o registro do incidente, o Dnit enviou 15 caminhões e retroescavadeiras para iniciar a remoção das pedras menores. Segundo Silva, a pedra de 500 t já foi perfurada para a colocação de explosivos e começará a ser demolida na segunda-feira. "A grande pedra está escorada na pista e serve de proteção, caso haja novos deslizamentos no trecho", afirmou.
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OAB - Comissão de Direito Ambiental (RJ) - Angra 3

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Ordem dos Advogados do BRASIL 
Seção do Estado do Rio de Janeiro 
Comissão de Direito Ambiental


Proc. CDA/14749/2007 julgado no dia 19.03.2008 às 14:30 hs. 
Requerente: ex-officio 
Objeto: Angra III - Relator: Fernando Cavalcanti Walcacer


EMENTA
Procedimento instaurado em face de notícia veiculada na imprensa. Exame de questões legais acerca de retomada na construção da Central Nuclear Angra III. Realização de sessão aberta na sede da OAB/RJ como mecanismo democrático essencial na busca de maiores esclarecimentos. Aprofundamento da problemática através de farta documentação acostada aos autos. Levantamento de polêmicas como a falta de segurança das usinas e a destinação dos resíduos nucleares gerados. Deliberação pela Comissão de Direito Ambiental no sentido de manifestação restrita à constitucionalidade ou não do empreendimento. Fundamento da iniciativa do Executivo na retomada das obras: Resolução n° 03/07 do Conselho Nacional de Política Energética. Entendimento uníssono da necessidade de aprovação específica do Congresso Nacional no que tange às iniciativas e atividades nucleares relativas à Angra III, em conformidade com os seguintes dispositivos constitucionais em vigor: art. 21, XXIII; art. 49, XIV e 225, § 6°. Inconstitucionalidade declarada.”


ACÓRDÃO
Vistos discutidos e relatados os presentes autos, decidem os integrantes da Comissão de Direito Ambiental da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Estado do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos em acolher o parecer do relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

Rio de Janeiro, 19 de março de 2008.

Flávio Villela Ahmed Fernando Cavalcanti Walcacer
Presidente                                                  Relator



Senhores Membros,

O presente processo teve início com o expediente dirigido pelo Sr. Presidente da Comissão de Direito Ambiental da OAB-RJ ao Sr. Superintendente Regional do IBAMA, em 19 de junho de 2007, solicitando informações a respeito do procedimento de licenciamento ambiental da terceira unidade da central nuclear Almirante Álvaro Alberto (Angra III) – o qual, segundo notícia veiculada pela imprensa, estaria sendo feito sem a publicidade exigida pela Constituição e pelas leis do país.

Veio aos autos, em seguida, cópia da petição inicial de ação civil pública movida em 2006 pelo Ministério Público Federal em face do IBAMA e da FEEMA, objetivando a suspensão do procedimento de licenciamento ambiental “até a edição de lei federal definindo a localização de Angra III no sítio em que construídas e instaladas as usinas nucleares Angra I e Angra II, ou em outro sítio”, bem como “a aprovação específica do Congresso Nacional no que tange às iniciativas e atividades nucleares relativas à usina nuclear Angra III”, tudo segundo os artigos 225, parágrafo único; 21, XXIII, “a“; e 49, XIV, da Constituição Federal.

Vieram igualmente aos autos o Relatório de Impacto Ambiental – RIMA de Angra III, e documento da Associação Civil Greenpeace, datado de novembro de 2007, dando conta de duas ações ajuizadas pela entidade contra a construção da usina, “por flagrante inconstitucionalidade e ilegalidade das medidas que vêm sendo anunciadas pelo governo federal para a retomada do programa nuclear brasileiro. Em 13 de novembro de 2007 a OAB-RJ, por iniciativa desta Comissão de Direito Ambiental, realizou em sua sede concorrida audiência, durante a qual a ELETRONUCLEAR apresentou aspectos ambientais relativos ao projeto de construção de Angra III. Posteriormente diversos outros documentos me foram encaminhados, na qualidade de relator do processo, dentre os quais destaco:

a) parecer do professor José Afonso da Silva, em consulta formulada pelo Greenpeace;

b) termo de ajustamento de conduta firmado entre o Ministério Público Federal, o IBAMA,
Prefeitura de Angra dos Reis e a ELETRONUCLEAR, ainda relativo ao licenciamento ambiental de Angra II;

c) inicial de ação civil pública movida em 2007 pelo Ministério Público Federal contra a Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN e a União Federal contra a construção da usina;

d) inicial de ação civil pública movida pela Associação Civil Greenpeace contra a União Federal, ELETROBRÁS, IBAMA e Fundação Estadual de Engenharia Ambiental – FEEMA, igualmente visando sustar a continuação das obras.

Sessenta anos após a construção das primeiras usinas, a utilização da energia nuclear continua a levantar acesas polêmicas, no Brasil e no exterior. Enquanto países como a Alemanha praticamente desativaram os seus programas nucleares, diante dos riscos e incertezas que continuam a ser levantados pela ciência, outros, como a França, dependem hoje quase inteiramente dessa tecnologia. Se por um lado aponta-se, entre as suas vantagens, a menor emissão de gases de efeito estufa em relação aos combustíveis fósseis e a garantia do abastecimento de energia independentemente de fatores sazonais ou conjunturais, problemas graves persistem a respeito, principalmente, da segurança das usinas e da destinação dos resíduos nucleares nelas gerados. Sem tomar partido nesta discussão, o presente parecer abordará unicamente questões relativas à constitucionalidade da construção de Angra III sem que a mesma tenha sido precedida de expressa manifestação do Congresso Nacional. As usinas nucleares Angra II e III deveriam ser o resultado inicial mais vistoso do ambicioso (e para muitos, megalômano) acordo nuclear assinado em 1975 entre o Brasil e a Alemanha. Às duas usinas pioneiras deveriam seguir-se, em espaço relativamente curto, outras seis centrais nucleares. A construção de Angra II e Angra III foi autorizada pelo Presidente da República, naquele distante ano de 1975, através do decreto 75.870/75.

Em 1975 o Poder Executivo federal podia tudo, ou quase tudo – inclusive autorizar a construção de usinas nucleares sem que fosse preciso dar satisfações ao Congresso Nacional ou à opinião pública. Ainda não havia sido instituído o licenciamento ambiental de atividades potencialmente poluidoras, e todo o controle das atividades nucleares (inclusive dos aspectos ambientais a elas relacionados), estava em mãos da poderosa Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN. Somente em 1989, com a entrada em vigor da nova Constituição Federal, o licenciamento ambiental das usinas nucleares passaria ao IBAMA.

A crise econômica do início dos anos 80 afetou em cheio o programa nuclear brasileiro. As obras de Angra II estiveram paralisadas durante um longo período, fazendo com que a usina somente fosse inaugurada em 1992. Angra III até hoje não passa de uma imensa cratera, à espera da instalação de equipamentos importados há muitos anos, cujo armazenamento provisório custa ao país algumas dezenas de milhões de dólares ao ano.

A Constituição Federal de 1988 alterou profundamente o papel do Congresso Nacional – como visto, até então irrelevante - na condução da política nuclear do país. Assim, o art. 21, inciso XXIII, “a”, dispôs que “toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso Nacional”; o art. 49, inciso XIV, estabeleceu a competência exclusiva do Congresso Nacional para “aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares”; e, finalmente, o art. 225, parágrafo 6o, determinou que “as usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas”.

Vigente a nova Constituição, de pronto colocou-se a questão de saber se as novas normas se aplicariam às usinas Angra II e Angra III, cuja construção se iniciara no regime constitucional anterior. A Justiça Federal de 1o grau no Rio de Janeiro entendeu que sim, e uma liminar determinou a paralisação imediata das obras. Mas o TRF da 2a Região suspendeu provisoriamente os efeitos desta decisão, em acórdão assim redigido (MS no 91.02.13929-4/RJ, rel. desembargador federal Clélio Erthal):
“Processual Civil. Liminar sustando o prosseguimento das obras das usinas Angra II e Angra III. Havendo o Congresso Nacional liberado as verbas necessárias ao prosseguimento das obras das usinas nucleares Angra II e Angra III, e já estando paga a quase totalidade dos equipamentos importados, não se justifica a suspensão liminar das mesmas, ao argumento de que inexiste lei específica definindo a respectiva localização, na forma hoje recomendada pelo artigo 225, 6o, da Constituição de 1988.
Segurança concedida para emprestar efeito suspensivo ao agravo interposto da decisão impugnada”.

Esta decisão “provisória” ainda hoje se mantém, dezessete anos passados. Foi ela que permitiu que as obras de Angra II prosseguissem e que a usina finalmente entrasse em operação. Mas Angra III permaneceu durante todo este tempo à espera de que a errática política nuclear do país se resolvesse enfim pela continuidade da construção – o que só aconteceu recentemente, com a Resolução 03 do Conselho Nacional de Poítica Energética - CNPE, de 07-08-2007, determinando que a ELETROBRÁS e a ELETRONUCLEAR conduzissem a retomada da obra, com vistas à sua entrada em operação em 2013. Creio que a vetusta decisão do TRF, tomada em 1991 e até hoje o principal sustentáculo para a continuidade do programa nuclear brasileiro sem a expressa aquiescência do Congresso Nacional merece ser revista.

Todas as dúvidas que ainda hoje cercam o risco embutido no aproveitamento em larga escala da energia nuclear, o debate em torno do preocupante aquecimento do clima e a utilização de fontes de energia renovável, menos poluentes, recomendariam, por si só, que decisões tomadas na década de 1970 por um governo autoritário, sob um regime constitucional extremamente centralizador, fossem reexaminadas - especialmente quando se tem em vista que os recursos gastos até hoje com a importação de equipamentos e a sua manutenção, embora vultosos, representam uma parcela pequena diante daquilo que o país ainda precisaria investir para que Angra III finalmente entrasse em operação.


A Advocacia Geral da União continua a sustentar, nas ações visando sustar a continuidade das obras, que tendo sido elas iniciadas antes da entrada em vigor da nova Constituição, deveria prevalecer a orientação jurisprudencial de que “quando o texto constitucional pretende assumir efeito retrospectivo, deve assim se manifestar expressamente” (RE 136926-DF, DJ 15-04-1994, rel. min. Moreira Alves).

A meu ver, tal entendimento não se aplica ao caso em tela. O decreto presidencial 75.870/75, que autorizou a construção de Angra III, foi expressamente revogado em 1991. Desde então, nada menos do que 17 anos transcorreram, sem que durante todo este tempo o governo federal tenha dado prosseguimento à obra– sinal inequívoco, a meu ver, senão da desnecessidade da usina, ao menos da falta de urgência em sua construção. Neste meio tempo, no caminho aberto pela Constituição Federal, o país consolidou uma legislação ambiental reconhecida como das mais avançadas e abrangentes do planeta, consagrando princípios como os da precaução e da prevenção do dano ambiental, da participação popular na defesa e proteção do meio ambiente, do respeito aos direitos das gerações futuras. Nestes últimos vinte e cinco anos o procedimento de licenciamento ambiental de atividades potencialmente poluidoras, submetido ao crivo permanente da sociedade, se universalizou.

Em relação ao controle social da utilização da energia nuclear, contudo, é forçoso reconhecer que pouco se avançou entre nós, desde a edição da Constituição Federal. A todo-poderosa Comissão Nacional de Energia Nuclear continua absorvendo, de forma irregular, funções relativas à promoção e incentivo da produção e comércio de minérios e materiais nucleares, e à fiscalização de seu uso. Com razão o professor Paulo Affonso Leme Machado considera este acúmulo de funções inexeqüível, lembrando que a Convenção de Segurança Nuclear, aprovada pelo Congresso Nacional, estabelece que as partes contratantes tomem medidas apropriadas para assegurar uma efetiva separação entre as funções do órgão regulatório e aquelas de qualquer outro órgão ou organização relacionado com a promoção ou a utilização de energia nuclear exatamente o contrário daquilo que por aqui ainda acontece.

O fato de o governo federal haver investido há quase trinta anos recursos significativos nas obras preliminares de Angra III e, desde então, na conservação dos equipamentos importados, não pode ser tomado como argumento definitivo a favor da continuidade das obras. O Congresso Nacional teria agido com inacreditável irresponsabilidade se houvesse permitido, ao negar tais recursos, que os equipamentos se deteriorassem com a ação do tempo. Mas daí a concluir que esta previsão orçamentária represente uma autorização do Congresso, ainda que tácita, para a continuidade das obras, vai a meu ver uma enorme distância. Entendo que não há como deixar de aplicar, para a retomada das obras, o disposto na Constituição Federal. Se elas tivessem prosseguido regularmente, sem solução de continuidade, desde a vigência do texto anterior, a situação seria claramente outra. Não faria sentido interrompê-las, à espera da manifestação extemporânea do Congresso. Mas não foi isso o que aconteceu. O que se pretende agora é retomar obras paralisadas há muitos e muitos anos.

Se fosse outro o tema em questão, talvez até se pudesse admitir uma interpretação menos rigorosa. Mas trata-se de matéria que envolve riscos imensos e incertezas de toda ordem. O que fazer, por exemplo, com os perigosíssimos resíduos nucleares, cuja destinação final até hoje não encontrou solução satisfatória, nem no Brasil, nem em qualquer outro país? A ELETRONUCLEAR promete ter uma solução definitiva para tais resíduos até 2014; mas nada, rigorosamente nada, indica que exista uma solução confiável a caminho, ao menos num horizonte previsível de tempo. Da mesma forma, a questão da remoção da população afetada, na hipótese de um acidente de dimensões graves, até hoje também não encontrou resposta adequada por parte das autoridades envolvidas.

A Constituição Federal de 1988, atenta à gravidade da temática nuclear, alterou radicalmente o direito anterior. Ela colocou o Congresso Nacional no centro das decisões a respeito do tema – e o fez em três dispositivos de meridiana clareza - os artigos 21, inciso XXIII, “a“; 49, inciso XIV; e 225, parágrafo 6o, acima citados. O conjunto desses dispositivos representa uma firme opção no sentido de submeter a atividade nuclear desenvolvida no país a um controle maior da sociedade. A Constituição retirou da esfera exclusiva do Executivo decisões que podem comprometer não apenas os interesses das gerações atuais, como também o das gerações futura – o que está perfeitamente de acordo com os princípios basilares do Direito Ambiental, um direito comprometido com a vida, a qualidade de vida, os direitos das gerações futuras. Negar que a construção de Angra III deva submeter-se a tais mandamentos, além de privilegiar um formalismo jurídico anacrônico e injustificável, vai a meu ver contra os interesses do Estado democrático de direito.

Em conclusão, parece-me que a iniciativa do Executivo de retomar as obras há muito paralisadas de Angra III, tomada pela Resolução do Conselho Nacional de Política Energética no. 03/ 2007 necessita ser submetida ao Congresso Nacional, como exigência da ordem constitucional vigente.

 Rio de Janeiro, 18 de março de 2008

FERNANDO CAVALCANTI WALCACER
                    Membro Relator


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