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Propina Nuclear

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No inquérito sobre corrupção na Petrobras (denominada operação lava-jato) surgiu suspeitas de fraudes sobre negócios do grupo Eletrobrás, composto de 15 empresas estatais responsáveis por mais de um terço da energia consumida no país, com patrimônio superior a R$ 60 bilhões.
Todo esse conjunto de empresas está sob investigação por iniciativas coordenadas entre o Ministério público (MP), Tribunal de Contas da União (TCU) e Policia Federal (PF). Além de suas contas estarem sendo auditadas pela Hogan Lovells, escritório de advocacia americano contratado pela Eletrobrás.

As suspeitas sobre negócios escusos foram reforçadas em depoimentos de executivos de empreiteiras, de ex-diretores da Petrobras e de agentes de distribuição de propinas. Foi nessa rede que caiu o diretor presidente da Eletronuclear, uma das menores subsidiárias do grupo Eletrobrás, o almirante da marinha brasileira Othon Luiz Pinheiro da Silva.
Nesta investigação envolvendo propinas na construção de Angra 3 também esta sob investigação acusados de receber subornos, o ex ministro das Minas e Energia Edson Lobão, o ministro do TCU Raimundo Carreiro e o advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do TCU.

O almirante Othon ficou conhecido por liderar, no auge da ditadura militar, a equipe que desenvolveu o Programa Nuclear Paralelo (entre 1979 e 1994) iniciativa militar no âmbito da antiga Coordenadoria de Projetos Especiais da Marinha, em que foram gastos, segundo revelado pelo próprio almirante, US$ 667,9 milhões. O objetivo era bélico com o desenvolvimento de tecnologia em enriquecimento de urânio, e assim produzir artefatos nucleares. Tudo a margem do projeto de construção das usinas nucleares.

No início do primeiro governo Lula o almirante foi convidado como conselheiro presidencial, e em seguida, em 2005 assumiu a presidência da Eletronuclear. Em 2009 se deu a retomada da construção de Angra 3, parada há 23 anos. 

O ex todo poderoso Othon, agora encarcerado é acusado de receber R$ 9,8 milhões de propina de empreiteiras contratadas para o projeto da 3ª usina nuclear em Angra dos Reis (RJ), entre 2009 e 2014. Este dinheiro, segundo a investigação saíram dos cofres de empreiteiras com obras em Angra 3 (Andrade Gutierrez, Engevix, Camargo Corrêa, ...), passaram pelo caixa da Link Projetos e Participações e chegaram na empresa familiar que o almirante era sócio, a Aratec Engenharia Consultoria & Representações. O ”modus operandi” destas transações criminosas é semelhante ao ocorrido na Petrobras, utilizando empresas de fachada para repasses de propinas. 

Inicialmente detido em regime de prisão temporária, depois convertida em preventiva, na prática o ex-presidente da Eletronuclear (em 6/8 a Eletrobrás anunciou seu pedido de demissão ) não tem prazo para ser solto. O juiz justificou sua decisão ao escrever no despacho, que “são robustas as provas do pagamento de propina a Othon Luiz em decorrência do cargo exercido na Eletronuclear e mediante a simulação de contratos de consultoria fraudulentos”.
Este episódio envolvendo o executivo principal da Eletronuclear é gravíssimo, e suficiente para a interrupção das atividades nucleares no país, em particular a construção de Angra 3, com o congelamento de novas instalações. Espera-se que todas as denúncias sejam investigadas e apuradas as responsabilidades.

Não se pode mais ignorar as objeções técnicas ao projeto de Angra 3. Como as denúncias com relação à obsolescência dos equipamentos tecnologicamente defasados, e que não atende aos requisitos internacionais de segurança, comprometendo o seu funcionamento e aumentando o risco de um desastre nuclear. Assim nem as seguradoras querem ter Angra 3 como cliente.
Também os altos custos na construção da usina, estimados para mais de  R$ 18 bilhões depois de pronta, vai de encontro ao próprio discurso oficial de oferecer energia elétrica a tarifas  módicas ao consumidor final.

É inaceitável e não se admite que a decisão de construir centrais nucleares no país tenha sido feita em um mero balcão de negócio, sem a necessária salvaguarda da vida das pessoas.

Fonte: Heitor Scalambrini Costa - Professor da Universidade Federal de Pernambuco
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Irã instala cerca de 2 mil centrífugas para enriquecer urânio

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O Irã instalou 1.861 centrífugas adicionais de enriquecimento de urânio em Natanz, elevando seu número total para 15.416, revela um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O relatório sublinha que, apesar do aumento de capacidade, o Irã não atravessou a "linha vermelha", determinada pelo Israel, em termos de volume do urânio altamente enriquecido. Relata-se também que o Irã não parou a construção do reator de água pesada.

Enquanto isso, os governos do Irã e da AIEA concordaram em realizar, em 27 de setembro, a próxima rodada das negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Fonte: http://portuguese.ruvr.ru/news/2013_08_28/Ir-instala-mais-2-mil-centr-fugas-para-enriquecer-ur-nio-4504/
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Ataque à Síria pode levar a uma catástrofe nuclear

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A operação militar dos EUA contra a Síria pode provocar uma catástrofe nuclear de escala regional. Um ataque a Damasco poderá afetar o reator nuclear situado nos arredores da cidade. Mesmo que as instalações não sejam danificadas, a eventual derrota das tropas governamentais permitirá aos extremistas tomar conta de materiais radioativos.

Como se sabe, nas cercanias da capital síria se encontra um mini-reator de fabrico chinês que utiliza combustível de alumínio com urânio militar. A China forneceu à Síria quase um quilo de urânio inserido no combustível para o reator. Por isso, tal ataque poderá virar uma autêntica catástrofe, adverte o porta-voz do MRE da Rússia, Alexander Lukashevich.

"No caso de um ataque planejado ou pontual ao mini-reator em causa, que emite nêutrons, as consequências serão terríveis. As áreas adjacentes serão contaminadas pelo urânio altamente enriquecido e por produtos de desintegração radioativa. Além disso, será praticamente impossível restabelecer o controle sobre o armazenamento dos materiais nucleares disponíveis."

Outro perigo sério se deve ao fato de as forças governamentais poderem perder o controle sobre este alvo após o ataque. Neste caso, os materiais radioativos serão apreendidos por extremistas. Mesmo que não estejam em condições de criar uma bomba atômica "normal", as consequências serão extremamente perigosas, frisou Igor Khokhlov, do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais:

"Acontece que o reator em questão carece de tecnologias para criar uma bomba atômica. Mas a partir dele será possível produzir um engenho explosivo "alternativo" que, como é óbvio, escapará a qualquer controle oficial. Deste modo, tomando em conta a situação tensa na Europa e nas comunidades muçulmanas extremistas, tal "bomba alternativa" poderá vir a ser usada contra os habitantes da Europa, inclusive dos países que se manifestam pela intervenção armada na Síria, por exemplo, da França."
Para evitar tais efeitos fatais, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia apelou à comunidade mundial a prestar a devida atenção a este problema candente, anunciou a mesma fonte diplomática.
"Com vista a prevenir cenários negativos, lançamos um apelo ao secretariado da AIEA para que este possa reagir rápida e oportunamente à situação criada, apresentando aos países-membros uma análise dos riscos relacionados com um provável ataque dos EUA ao mini-reator, fonte de nêutrons e a outros alvos localizados no território da Síria”.

Cumpre acrescentar que, para além dessas ameaças diretas, um ataque estadunidense é capaz de provocar outras, indiretas. No Irã, a campanha militar irá incentivar ainda mais e acelerar a criação de armas nucleares. Os regimes de Saddam Hussein e Muammar Kadhafi não eram menos odiosos do que o regime político totalitário existente na Coreia do Norte. Todavia, ninguém se atreve a atacar esse país, que possui a bomba atômica elementar. Se Bashar Assad for derrubado pelo EUA, o Irã seguirá na fila dos países sujeitos à "democratização forçada". Para evitar tal sorte, o governo iraniano procurará encontrar "refúgio" na sua bomba atômica. Se assim acontecer, o mesmo será feito por seus vizinhos, por exemplo, pela Turquia ou pela Arábia Saudita e depois por outros Estados limítrofes. Na sequência disso, estará em causa o próprio regime de não-proliferação de armas nucleares, capaz de não recuperar após tal golpe demolidor.

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O Mito da Bomba Nuclear da Paz

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Reservistas Sul Coreanos reunidos en Seúl
AHN YOUNG-JOON (AP)

O jogo de cena nuclear repete o mesmo ato mundo a fora, antes de ter uma bomba nuclear dizem que suas usinas atômicas são apenas para fornecer energia, que almejam uso pacifico, políticos beijam crianças e discursam exaltando a tecnologia a serviço do crescimento da nação. Logo de cara a população não encontra motivos para desconfiar do próprio governo, lhes soa estranho a insistência de países que já possuem a bomba querendo garantias, inspeções e o termino do respectivo plano nuclear do país. Com estas medidas os argumentos de tecnologia pela soberania nacional ganham força, afinal, eles que tem tecnologia não querem que outros tenham, são imperialistas, etc... Alguém já viu esta cena?
            A união entre usinas nucleares e bombas nucleares é simples, uma vez dominado o ciclo de enriquecimento de urânio para alimentar as usinas, as etapas mais difíceis estão superadas e, daí por diante, o problema de construir ou não a bomba atômica é mais político e econômico do que técnico. Todos os países que pesquisaram o ciclo do enriquecimento de urânio negam sempre intenções bélicas até o momento em que elas se tornam evidentes, como se observou nos casos da nuclearização de nações como Índia, China, Israel e atualmente voltou a tona com o programa nuclear Iraniano.
A profundidade das perfurações é compatível com as que usam
no programa americano para explosões subterrâneas
Tudo isso porque? Simples, porque qualquer reator que queime urânio, a 3% ou a 20%, produz plutônio como subproduto - e o plutônio é um excelente explosivo para a bomba atômica. Pode-se fazer uma bomba também com urânio enriquecido a 90% - e, nesse caso, quem domina o processo do enriquecimento a 20% é capaz de chegar a 90% pelos mesmo métodos. As usinas nucleares, além de energia, criam uma fonte abundante de recursos para o nuclear bélico. Como não há nenhum depósito definitivo para os resíduos, os tais rejeitos, vulgo lixo nuclear, toneladas desse material são estocadas na própria usina, o que convenhamos, a torna uma verdadeira bomba nuclear em grande escala. Em Fukushima, por exemplo, há 264 toneladas de varetas decombustível usado, contendo grande quantidade de césio-137, aguardando destino final. Isto é, o governo do Japão assume o risco de viver um desastre ainda pior se caso ocorrer outro terremoto que destrua a piscina de refrigeração. E quem dera se este risco fosse só em Fukushima, mas onde há uma usina nuclear, a risco semelhante.
Já sabemos então onde a usina nuclear se transforma na menina dos olhos de qualquer força armada certo? Agora vejamos o argumento da famosa “Bomba da Paz”,

Ato realizado no MASP marcando 2 anos da Tragédia
ocorrida em Fukushima (Foto: Joelma do Couto)
Vemos hoje a Coréia do Norte se gabar que por conta de seu programa nuclear e bombas nucleares seu país ainda não foi invadido, é o mesmo argumento daqueles que desejam ter os mesmos artefatos. Garantir a soberania nacional disseminando o medo é a moeda de troca das nações que possuem as bombas. No inicio do programa nuclear brasileiro não foi diferente, e em nenhuma outra parte do mundo é. Mas analisando bem, podemos perceber que esta estratégia esta muito mais afinada com os ideais de umaditadura do que com a liberdade democrática. A tal bomba da paz garante um controle via o temor, se apóia nas mais altas tecnologias não para garantir o progresso das nações. Se trata de um alto investimento, já que custa bilhões, que não tem seu retorno revertido em qualidade de vida para as populações.  A bomba apenas subsidia a ganância por poder, as políticas e ações opressoras, basicamente custa caro e é nociva.
Três gerações de japoneses na luta pela paz e contra a proliferação
de usinas e armas nucleares. (Foto: Joelma do Couto )
Sendo assim, não temos no mundo um exemplo sequer de programa nuclear aberto, franco, com contas claras, interesses definidos, com informações a disposição da população e da comunidade internacional. Seus danos, em caso de ataques ou desastres, são igualmente opressores e nocivos, marcam gerações, destroem cidades, campos, abalam a economia, reverter seus danos custa caro sendo que a maioria dos danos são irreversíveis! Portanto, o argumento cínico da bomba da paz não é uma passo a frente rumo a soberania, mas sim um grande retrocesso nas conquistas sociais, democráticas e de direitos humanos. É um passo que todos nós financiamos a custo de nossos impostos, um passo que nos impõe uma realidade que nenhum ser humano, em sã consciência, gostaria de viver.

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Rússia descarta mais reduções de seu arsenal nuclear

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A justificativa é garantir a segurança do país no atual momento histórico

Moscou - A Rússia considera que, por seus fatores desestabilizadores, o atual momento histórico não permite mais reduções de seu arsenal nuclear, anunciou nesta terça-feira o Ministério da Defesa russo.

 'Ao se manterem os fatores de instabilidade, em um futuro previsível a Rússia manterá seu potencial nuclear em quantidade e qualidade suficientes para garantir sua segurança', afirmou o responsável da Segurança Nuclear da pasta, Yuri Sich, citado pela agência 'Interfax'.
A Rússia promoverá 'reduções de maior alcance e limitações da potência nuclear' apenas após avaliar 'todos os fatores que influem na segurança estratégica e afetam os interesses da segurança nacional' do país, apontou o oficial russo.
'A Rússia segue a favor do processo de desarmamento nuclear no mundo com o objetivo final da destruição total do armamento nuclear, mas cumprindo o princípio da mesma segurança para todos', detalhou Sich.
Segundo a doutrina militar aprovada há dois anos pelo presidente russo, Dmitri Medvedev, a Rússia se reserva ao direito de um ataque nuclear em caso de agressão exterior com armas atômicas ou convencionais.
Entre os principais perigos militares exteriores identificados pela doutrina russa estão a ampliação da Otan em direção às fronteiras da Federação Russa e o escudo antimísseis dos Estados Unidos, um assunto que continua opondo os dois países.

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Os grandes destruidores da vida marinha

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Os ambientalistas andam de “orelhas em pé” quanto a problemática ecológica causada pelo tráfego naval. Os dados apontam para 90% das mercadorias entre países serem transportadas por navios em aproximadamente 100 mil unidades que singram o mar anualmente, sem contar os navios de guerra.

Cada navio de carga emite ruídos na faixa de 150 a 195 decibéis, causando transtornos na vida marinha, haja vista, a maioria dos habitantes dependerem deste sentido para viver. Se não bastasse o transtorno de milhares de navios, tem-se o grande vilão destruidor da vida marinha – O SUBMARINO NUCLEAR.

O trafégo dos submarinos nucleares matam todos os animais que estão na sua proximidade, em proporções semelhantes a pesca por explosões com dinamites. Os ruídos das turbinas são milhares de vezes mais potentes que dos navios comuns.

As baleias parecem ser as maiores vítimas do grande vilão, apresentando GRANDE NUMERO DE ÓBITOS, não só por causa do ruído infernal que lhes causam hemorragias nos ouvidos e olhos, mas também por causa dos testes com sonares (aproximadamente 235 decibéis) que causam também grande devastação marinha.

FONTE: http://ecologia.jar.io/ativistas/submarinos-nuclear-e-a-destruicao-marinha/




As consequências do desastre de Fukushima no mar e no ar

Após o acidente de Fukushima, que completou um ano, toneladas de radioatividade vazaram para o ar e o mar. Ainda hoje a contaminação do entorno prossegue.
A reportagem é de Laura Corcuera e está publicada no jornal quinzenal espanhol Diagonal, 17-03-2012. A tradução é do Cepat.
Não há modelos precisos para medir as taxas de liberação de elementos radioativos (radionúclidos) quando o combustível nuclear, que vaza de uma central, entra em contato com a água do mar. Esta é a conclusão publicada por uma equipe de engenheiros e geólogos norte-americanos no último número da revista Science.
Os pesquisadores propõem realizar caros experimentos com materiais radioativos para reduzir o risco das centrais nucleares e voltar a ganhar a confiança da população na energia nuclear. Mas epidemiólogos e radiobiólogos estão tentando explicar desde antes do desastre de Fukushima que a fórmula risco/benefício (risco para a população e benefício industrial), que se utiliza na radioterapia, não pode ser aplicada à energia nuclear.
Em condições normais, uma central nuclear emite constantemente pequenas doses de radioatividade no ar e também na água. Com o acidente de Fukushima toneladas de material radioativo começaram a se dispersar quando a companhia elétrica Tokyo Electric Power (Tepco) começou a utilizar água do mar para esfriar três dos seis reatores da central, cujos núcleos estavam se superaquecendo.
A água foi vazou (e o processo continua) para o Oceano Pacífico e para o leito marinho. Do mar, o combustível radioativo é transportado para todo o planeta e é transferido para os ecossistemas marinhos e cadeias tróficas, onde pode permanecer durante muito tempo.
As algas, ricas em ferro, transferem radionúclidos diretamente para os seres humanos e também para os moluscos, crustáceos e peixes que consumimos. Daí a importância de saber a procedência do que comemos. O estrôncio 90 e o césio 137 têm uma vida média de 30 anos (nesse tempo ficará a metade de sua massa e em 60 anos uma quarta parte). O iodo 131 tem uma vida média de oito dias, mas o plutônio 239 tem uma vida média de cerca de 24.000 anos e com o tempo se transforma em amerício 241, outro elemento radioativo que pode ser incorporado ao organismo humano.
Além da radioatividade que a central de Fukushima está emitindo, hoje resta mais da metade daquela que saiu da central de Chernobil, em 1986.


FONTE: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/507651-as-consequencias-do-desastre-de-fukushima-no-mar-e-no-ar

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4 de setembro de 1987 - Anunciada uma Bomba Relógio Nuclear

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Na história do Brasil está escrito que em 4 de Setembro de 1987, o então presidente da República, José Sarney, anunciou com pompa que o Brasil dominava a tecnologia nuclear e passava a fazer parte do restrito grupo dos países atômicos. 


(Anos depois o ex-presidente José Sarney e alguns antigos colaboradores do governo confirmaram que nas décadas de 70 e 80 militares e funcionários públicos federais das áreas energéticas e de Informação trabalharam sigilosamente para produzir uma bomba atômica brasileira. Essas confissões deram um selo oficial a informações já conhecidas sobre o famigerado PROGRAMA NUCLEAR PARALELO, sustentado por recursos depositados em contas secretas e responsável por pesquisas e testes para fins bélicos.)


Entretanto foi em Setembro de 1982 que o PROGRAMA NUCLEAR PARALELO logrou sua primeira experiência de enriquecimento de urânio com sucesso. A declaração anterior é do Almirante Othon, antigo coordenador do PROGRAMA NUCLEAR PARALELO, hoje atual presidente da Eletronuclear (A declaração acontece no 05:19 do vídeo a baixo)





Mas infelizmente não foi apenas por esta notícia que nuclear brasileiro foi parar nos jornais do mundo em Setembro de 1987.


Outras mentiras nucleares:



CONTROVÉRSIAS ENVOLVEM ARAMAR 



Quando o projeto de construção do Centro Experimental Aramar foi revelado ao País, na imprensa sorocabana, a Marinha reagiu com um desmentido sobre a finalidade nuclear do empreendimento. 

A Marinha enviou ao Cruzeiro do Sul a seguinte informação, publicada em 1.º de maio de 1985: Não há qualquer intenção em se fabricar artefatos atômicos ou realizar experiências de motores ligados à energia nuclear. Na mesma mensagem, a Marinha atribuiu os comentários a boatos que surgem e adquirem proporções de verdade sem qualquer fundamento real. 

Há 10 anos, em 6 de fevereiro de 1996, o então ministro da Marinha, Mauro Pereira, disse em entrevista coletiva, em Aramar, que a construção do submarino deixara de ser prioridade. A partir de então, segundo Pereira, a Força iria concentrar esforços na construção de submarinos convencionais. Um mês depois, a notícia foi desmentida pelo próprio ministro, que justificou a informação como mal interpretada. 

Além das controvérsias, o programa da Marinha também começou, em 1979, cercado de sigilo. Era a época da ditadura militar, período de autoritarismo e censura. 

Urânio enriquecido 

Entre funcionários civis e militares, Aramar tem hoje 1.243 pessoas, ante cerca de 1.500 em 1988, ano em que a unidade foi inaugurada. A Marinha informa que Aramar continua a enriquecer urânio em seus laboratórios de teste, em equipamentos com capacidade para enriquecer o produto a até 20%. Os equipamentos são máquinas chamadas ultracentrífugas, que geram o nome de ultracentrifugação ao processo de produção.

Por esse processo, o urânio passa de uma máquina para outra, em forma de cascata.
O enriquecimento a 90% seria suficiente para produzir uma bomba atômica. No começo da década de 1990, a Marinha admitiu ter a capacidade de produzir o urânio a esse nível, mas negou qualquer finalidade bélica no seu programa, insistindo no objetivo pacífico - o que respeita dispositivo da Constituição Federal.

A produção de urânio é feita em escala limitada, denominada de demonstração.
Não é divulgada a quantidade produzida por questões de sigilo, segundo o texto enviado pela Marinha.


Fonte: http://www.ipen.br/sitio/?idz=1&idc=1235


O Perigo Concreto adverte: A leitura deste post causa perda imediata de confiança em relação ao Programa Nuclear Brasileiro e esclarecimento das diversas mentiras (antigas e atuais) em relação ao tema.

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O Programa Nuclear Paralelo

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O ex-presidente José Sarney e alguns antigos colaboradores do governo confirmaram que nas décadas de 70 e 80 militares e funcionários públicos federais das áreas energéticas e de Informação trabalharam sigilosamente para produzir uma bomba atômica brasileira

Essas confissões deram um selo oficial a informações já conhecidas sobre o famigerado PROGRAMA NUCLEAR PARALELO, sustentado por recursos depositados em contas secretas e responsável por pesquisas e testes para fins bélicos.

O que ainda não se tornou público é o fato de o grupo que tramou a inclusão do Brasil na corrida nuclear não estar tão afastado do poder como era de esperar. Rex Nazaré Alves, que ficou conhecido como “o pai da bomba atômica brasileira”, é consultor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República e foi escalado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva para ser o representante da sociedade no mais importante colegiado da política nuclear brasileira, no qual são definidos programas, normas e concessões para instalações nucleares no país.

Nazaré Alves tem uma longa trajetória na área nuclear. Em 1969, depois de fazer um curso de doutorado na França, se tornou chefe do Laboratório de Dosimetria da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). Sua ascensão continuou durante o regime militar. Foi nomeado diretor executivo da Área de Segurança Nuclear da Cnen em 1975, e sete anos depois se tornou presidente do órgão.

Abin
O regime militar caiu, mas ele permaneceu no cargo durante todo o governo Sarney (1985-1990), só sendo substituído quando Fernando Collor de Mello (1990-1992) chegou ao poder. No final do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), virou diretor do Departamento de Tecnologia da Abin. Ocupou o cargo até junho de 2003, já no governo Lula, quando passou a assessor especial da direção-geral da Abin, de onde mais tarde sairia para virar consultor do GSI. Uma portaria de 10 de julho de 2003 nomeou Nazaré Alves para a Comissão Deliberativa da Cnen. “Ele é um patriota, um profissional de qualidade, pesquisador dedicado”, diz Roberto Amaral, então ministro da Ciência e Tecnologia, que assinou a portaria.
A Cnen é o órgão responsável pela fiscalização e produção nuclear no país. A Comissão Deliberativa tem o poder de aprovar ou rejeitar decisões da Cnen e cuida dos investimentos do Fundo Nacional de Energia Nuclear. O colegiado é composto por cinco membros, dos quais quatro são da própria Cnen e um pode ser de for a, o que dá a essa vaga a característica que dentro da área nuclear é definida como de representante da sociedade. É uma função importante, já que é o único olhar externo à Cnen. Na reunião do dia 17 de dezembro de 2004, por exemplo, coube à Comissão Deliberativa analisar cinco licenças referentes ao enriquecimento de urânio na unidade da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) em Resende (RJ). Testes sigilosos para enriquecer urânio foram usados pelo Programa Nuclear Paralelo.
Na mesma reunião, foi discutida a decisão da presidência da Cnen de prorrogar a licença para funcionamento da mina de extração de urânio de Caetité, no sertão baiano. A decisão havia contrariado um laudo de fiscais da Cnen. Eles recomendaram o fechamento da instalação por não haver garantias de que o lençol freático da região não esteja sendo contaminado pelo trabalho na mina. Mesmo assim, a Comissão Deliberativa endossou a decisão da Cnen.
Na entrevista que deu ao programa Fantástico, da Rede Globo, Sarney contou que ao assumir o governo descobriu que havia instalações nucleares na serra do Cachimbo, no oeste do Pará. O ex-presidente afirmou que o assunto era “segredo de Estado”, e por isso não podia ser divulgado. Também em entrevista ao programa, José Luiz Santana, que substituiu Nazaré Alves na presidência da Cnen, afirmou que mais de 50 equipes chegaram a ser mobilizadas para fazer a bomba, artefato que teria potência equivalente às ogivas nucleares lançadas pelos Estados Unidos no Japão.
Só em 1990 foi fechado um túnel construído clandestinamente para a realização de testes nucleares na serra do Cachimbo, no oeste do Pará André Dusek/AE/4.10.90
Enquanto tentava desarticular o esquema armado para construir a bomba, nos primeiros seis meses do governo Collor, Santana sofreu três atentados. Em duas ocasiões seus inimigos mexeram em peças de seu automóvel para provocar um acidente, e em outra atiraram contra ele.
O Programa Nuclear Paralelo começou a se tornar público em 1986, quando uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo revelou a existência de cisternas e covas na serra do Cachimbo, uma delas com 320 metros de profundidade, para a realização de testes nucleares. Nas investigações do Ministério Público e do Congresso que se seguiram à denúncia, descobriu-se a existência de contas bancárias secretas que eram conhecidas dentro do Programa Nuclear Paralelo pelo nome de Delta. Rex Nazaré Alves, na época no meio de sua gestão na presidência da Cnen, foi apontado como um dos responsáveis pelas movimentações dessas contas.
Kombis com documentos
Ele foi ainda acusado de retirar sete Kombis cheias de documentos da Cnen, que poderiam detalhar o processo de construção da bomba e nunca mais foram encontrados. José Goldemberg, ex-ministro de Collor e atual secretário de Meio Ambiente do estado de São Paulo, disse em entrevista ao jornal New York Times que Rex Nazaré Alves era um dos dois principais responsáveis pelo programa secreto.
O ex-ministro Roberto Amaral diz que ao nomear Rex Nazaré Alves para a Comissão Deliberativa desconhecia o envolvimento do escolhido com as contas secretas. “Só estou sabendo disso agora”, afirmou Amaral na última segunda-feira. Alves, que também é professor do Instituto Militar de Engenharia, no Rio de Janeiro, não quer falar sobre o Programa Nuclear Paralelo nem sobre as acusações de ligação com contas secretas e roubo de documentos. “Aquilo que eu tinha que fazer, eu fiz na época em que tinha funções na Cnen”, afirma. “Havia assuntos sigilosos, e há uma lei que protege esse tipo de assunto.”

Comissão mantém conflito de interesses
Durante a gestão de Rex Nazaré Alves como presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, foi enterrado o documento que ficou conhecido como Relatório Vargas. Nele, um grupo de especialistas convocados pelo governo federal para sugerir mudanças na política nuclear defendia que a Cnen deixasse de acumular as funções de produção e fiscalização no setor, que são conflitantes. Apesar de exigida pela Agência Internacional de Energia Atômica e por convenções internacionais das quais o Brasil é signatário, a separação que Alves ajudou a impedir não ocorreu até hoje.

A comissão criada pelo então presidente José Sarney era composta por empresários, engenheiros, economistas e outros acadêmicos. O coordenador era o cientista José Israel Vargas, que depois seria ministro dos presidentes Itamar Franco (1992-1995) e de Fernando Henrique. O relatório foi entregue a Sarney em abril de 1986. Além de não seguir a recomendação de dividir a Cnen, Sarney resolveu vinculá-la à então Casa Militar da Presidência da República. Ao se opor à idéia da comissão, Nazaré Alves argumentava que a divisão da Cnen iria gerar desperdício de esforços e recursos. Uma década depois, no governo de Fernando Henrique Cardoso, a separação voltou a ser proposta e voltou a ser barrada. A equipe montada pelo PT para fazer a transição antes da posse de Lula também discutiu o tema, mas até hoje a Cnen resiste indivisível.

O órgão é subordinado ao Ministério da Ciência e Tecnologia e cuida de instalações que vão desde aparelhos de clínicas de tratamento de câncer até as usinas de Angra 1 e Angra 2. A relação entre as funções produtivas e fiscalizatórias é tão forte que a Cnen é oficialmente proprietária da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que faz a exploração de urânio em Caetité, produz pastilhas de combustível para as duas usinas nucleares e está começando o processo de enriquecimento de urânio em Resende (RJ). O presidente da Cnen é também presidente do conselho de administração da INB. Na teoria, a Cnen fiscaliza uma empresa subordinada a ela. Na prática, a situação ainda é mais grave, porque a INB, com orçamento próprio e maior poder econômico, tem força de influenciar nas decisões da Cnen.
O presidente da Cnen, Odair Dias Gonçalves, que integrou o grupo responsável pela transição para o atual governo, diz que há um consenso hoje sobre a necessidade de separar as áreas de fiscalização e controle da parte de produção nuclear. Só acha que não há pressa. “Existe um risco de separar tudo de maneira intempestiva”, afirma. O adjetivo soa estranho para uma discussão que se arrasta por 20 anos. O deputado Edson Duarte (PV-BA), que coordena na Câmara uma equipe responsável por propor mudanças na política nuclear, discorda de Gonçalves e prepara um projeto de lei para separar as funções da Cnen. “A área nuclear concentra atividades nas quais não pode haver erro”, afirma. “Não é ético a Cnen se autofiscalizar.”

Fiscalização
Outro problema grave que se arrasta há décadas na Cnen é a falta de poder efetivo de coerção dos fiscais do órgão. No Ministério da Agricultura, se um fiscal acha um abatedouro sem condições de higiene, pode mandar fechar na hora e impedir que a carne podre continue saindo dali para os consumidores. No caso da Cnen, além de fiscalizar o equivalente a abatedouros próprios, os fiscais não podem mandar fechar uma instalação nuclear. Se limitam a fazer relatórios que podem ou não ser seguidos pela presidência da instituição. “A área nuclear é um sistema complexo e achamos que a autonomia de controle deve ser compartilhada”, justifica Odair Gonçalves.
O que ele chama de compartilhamento tem feito a direção da Cnen desrespeitar avaliações técnicas de seus especialistas. O caso da mina de Caetité, que os técnicos queriam fechar e a presidência da Cnen manteve aberta, não foi o primeiro. À revelia de seus fiscais, por exemplo, a Cnen autorizou a produção de pastilhas de urânio em Resende sem avaliar o risco de reação em cadeia do minério. Um risco mal avaliado pode produzir uma explosão. Nos últimos anos, a Associação dos Fiscais da Cnen, que reúne engenheiros, biólogos, físicos e outros especialistas, entregou a autoridades do governo, incluindo os presidentes Fernando Henrique e Lula, relatórios alertando para o perigo que representam à sociedade os problemas estruturais da Cnen. A entidade também preparou o esboço de um projeto de lei criando o Sistema Federal de Fiscalização, que daria poder coercitivo aos técnicos. “Resta saber até que ponto os interesses ditos como de soberania e defesa nacionais continuarão se sobrepondo aos da segurança da população”, diz o físico Rogério Gomes, presidente da associação.

Fonte: Solano Nascimento da equipe do Correio Braziliense, 20 Setembro 2005
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A bomba que mudou o mundo

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Com a famosa frase “meu Deus, o que foi que nós fizemos”, pronunciada por um dos tripulantes do avião que conduziu o artefato nuclear sobre território japonês, o mundo relembra os 65 anos do lançamento das bombas atômicas durante a Segunda Guerra Mundial, ambas pelos Estados Unidos contra o Japão, detonadas nas cidades de Hiroshima (6 de agosto de 1945) e Nagasaki (9 de agosto de 1945). O poder de destruição das bombas foi imenso, ao menos 200 mil morreram em Hiroshima e 100 mil em Nagasaki, iniciando, assim, a chamada era nuclear. Esses acontecimentos devem ser lembrados sempre por sua brutalidade e impunidade.

O Japão, único país a ter sido bombardeado em duas ocasiões com armas nucleares reclama há anos a abolição das armas de destruição em massa. A detonação de uma bomba nuclear provoca danos imensos. O grau de destruição dependerá da distância de onde o centro da bomba é detonado, chamado de marco zero (podendo chegar nesse local a temperatura de até 300 milhões de graus Celsius). Quanto mais próximo alguém estiver deste local, maior será a gravidade dos danos. Eles são causados por diversos aspectos: uma onda de calor intensa de uma explosão, pressão da onda de choque criada pela detonação e precipitação de material radioativo. As partículas radioativas que chegam ao solo penetram no manancial d'água e são inaladas e ingeridas por pessoas a uma distância considerável do local de detonação da bomba.

Alguns dos problemas de saúde ocasionados pelo material radioativo incluem: náusea, vômitos e diarréia; catarata; perda de cabelo; perda de células sanguíneas. Estes problemas freqüentemente aumentam o risco de ocorrência de leucemia, câncer, infertilidade, deficiências congênitas, dentre outros males.

O Tratado de Não Proliferação Nuclear, adotado em 1967, teve o objetivo de “congelar” a posse de armas nucleares às cinco potências nucleares da época: Estados Unidos, União Soviética, Inglaterra, França e China. Na prática, o que se verificou foi o inverso, com os esforços de vários países, dentre eles a Índia, o Paquistão e Israel, de produzir armas nucleares, agravando os problemas de proliferação nuclear e criando sérios transtornos no cenário internacional. Lembremos do caso do Iraque acusado de produzir armas nucleares, justificativa usada como uma das causas da sua invasão. Outros países também tiveram a iniciativa de produzir armamentos nucleares, como a África do Sul, Líbia, Irã e Coréia do Norte.

Até o Brasil e a Argentina desenvolveram atividades nessa direção durante o período militar.

Mesmo não havendo provas definitivas de que o nosso país esteja construindo armas nucleares, eventos e pronunciamentos em passado recente levam-nos a crer que o Brasil "recomeçou a flertar" com a idéia de produzir uma bomba atômica, após tentativas anteriores mal sucedidas durante o regime militar. Nos últimos anos diversas autoridades, como o vice-presidente da República José Alencar e o ex-ministro de Ciências e Tecnologia Roberto Amaral (quando no cargo), declararam a necessidade do país dispor de armamento nuclear para defesa preventiva e de suas riquezas, como fator de dissuasão e para impor mais respeitabilidade.

Também o documento sobre a Estratégia Nacional de Defesa lançada em 2008, afirma a “Independência nacional, alcançada pela capacitação tecnológica autônoma, inclusive nos estratégicos setores espacial, cibernético e nuclear. Não é independente quem não tem o domínio das tecnologias sensíveis, tanto para a defesa como para o desenvolvimento”. Embora a Constituição diga que toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos, o assunto está longe de ser considerado um tabu.

A ressurreição do Programa Nuclear Brasileiro é mais um dos indícios da estratégia governamental de tornar o Brasil uma potência atômica. O dinheiro empregado no programa, para a construção e funcionamento de novas usinas núcleoelétricas, permitirá a lubrificação de todas as suas engrenagens. A cada usina que construímos aumentaremos o volume de urânio que produzimos, aumentando assim o saldo com que se espera entrar definitivamente como sócios no Clube Atômico, e para tal é necessário ter a bomba atômica.

O Brasil pela exuberância e diversidade de fontes energéticas renováveis disponíveis em seu território, não precisa da energia nuclear para atender a demanda de energia elétrica, e assim, pode adotar opções mais atraentes do ponto de vista econômico, social e ambiental.

Abrir mão da energia nuclear significa um importante passo para evitar o perigo de uma nova onda de proliferação nuclear, dada a natureza dual da energia nuclear, que se presta tanto para aplicações pacíficas como militares, sem falar dos problemas físicos de segurança nuclear. Não devemos nos esquecer do que afirmou o físico Robert Oppenheimer, responsável pela construção da primeira bomba atômica, quando visitou o Brasil, em 1953: "Quem disser que existe uma energia atômica para a paz e outra para a guerra, está mentindo".





Heitor Scalambrini Costa 
Professor Associado da Universidade Federal de Pernambuco
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Linha do Tempo de Detonações Nucleares

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1945-1998 é uma animação do artista japonês Isao Hashimoto que lista todos os testes com armas nucleares que foram feitos no mundo. Simples e direto, o clipe mostra o quanto estamos brincando com o planeta nos últimos 50 anos.







Fonte: http://blogs.estadao.com.br/alexandre-matias/2010/07/28/mundo-nuclear/
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Os propósitos e os holofotes

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No roteiro de Lula, a negociação é o antídoto contra as sanções. No roteiro proposto pelos americanos, talvez as sanções sejam a alternativa ao caminho das armas. Pelo menos é possível que russos e chineses enxerguem assim





É discutível a atitude brasileira de deixar a reunião do Conselho de Segurança da ONU em que se discutiam as possíveis sanções contra o Irã. Se o Brasil tem uma posição, deve defendê-la em qualquer instância. Por que não? 

O Brasil parece ter ficado surpreso com a velocidade de reação das potências no CS, e com a unanimidade a favor do rascunho das sanções. 

Na teoria, a declaração obtida por Luiz Inácio Lula da Silva em Teerã deveria ter dividido o bloco dos países com poder de veto. Deveria ter facilitado o descolamento entre de um lado Estados Unidos e de outro Rússia e China. 

Mas não aconteceu. Um motivo é que as medidas vêm sendo costuradas faz tempo entre os protagonistas do CS. E costuras envolvem compromissos. 

Um exemplo: os americanos toparam ceder aos russos no escudo antimísseis do leste da Europa. Os russos não podem agora simplesmente desconhecer as preocupações dos Estados Unidos com o Irã. 

Os chineses também carregam um portfólio de pontos estratégicos delicados na relação com Washington. Não podem se dar ao luxo de flutuar ao sabor dos acontecimentos. 

Outra razão é que nem russos, nem chineses, nem franceses nem súditos de Sua Majestade estão dispostos a conviver com um Irãnuclearizado. A França não se alinha automaticamente aos Estados Unidos, ao contrário: na crise do Iraque peitou o aliado do começo ao fim. Rússia e China tampouco. 



Circula a teoria de que as sanções são um primeiro passo para os Estados Unidos intervirem militarmente no Irã. O histórico das guerras recentes encoraja a hipótese. Mas há nela um buraco lógico. Por que motivo russos e chineses iriam estimular a presença de tropas americanas no Irã? Qual o interesse dessas duas potências em incentivar a expansão bélica da superpotência? 

Interesse nenhum. O que faz obrigatório levantar uma possibilidade: talvez os parceiros dos Estados Unidos no CS vejam as sanções como um caminho não para impulsionar a eventual agressão militar, mas para diminuir a probabilidade de ela acontecer. 

No roteiro de Lula, a negociação é o antídoto contra as sanções. No roteiro proposto pelos americanos, talvez as sanções sejam a alternativa ao caminho das armas. Pelo menos é possível que russos e chineses enxerguem assim. 

Também por isso escrevi na coluna de terça-feira que a tática brasileira levaria a aumentar as pressões sobre Teerã, em vez de diminuir. O Irã tem um histórico de enrolar o CS, e se as potências enxergassem a aceitação tardia da algumas condições pelos iranianos como manobra para novamente “comprar tempo” provavelmente dariam mais uma volta no parafuso. Uma mais algumas. 

O Irã trabalha com a hipótese de os Estados Unidos não conseguirem abrir uma terceira frente, além do Iraque e do Afeganistão. É razoável. Como também é razoável imaginar que Washington esteja a rascunhar caminhos para enfrentar o problema, de um jeito ou de outro. 

O documento assinado em Teerã rendeu dividendos políticos a Lula, mas é preciso agora ir além do brilhareco. Se o Brasil está sinceramente interessado numa saída pacífica — e não apenas em fazer propaganda de si próprio — talvez devesse considerar que os termos acertados no domingo com Mahmoud Ahmadinejad são, infelizmente, insuficientes. E que é preciso avançar. 

A questão-chave do affair iraniano é o monitoramento internacional do programa atômico. O próprio Itamaraty admite isso, quando caracteriza o trato do último fim de semana como “primeiro passo”. Qual é a dificuldade, então? O ritmo. Brasil e Irã caminham a passo de tartaruga, mas os fatos já adquiriram velocidade de coelho. 

Em resumo, a permanência do Irã como nação soberana depende da renúncia definitiva ao uso da energia nuclear para fins militares. E de isso poder ser efetivamente verificado e fiscalizado pelas potências. Em suma, para manter sua soberania o Irã deverá renunciar a uma parte dela. 



Justa ou injusta, essa é a situação. E os dirigentes iranianos estão diante da encruzilhada. Na qual, aliás, eles mesmos fizeram tudo para se meter. As escolhas colocadas aos países nos momentos-chave da História nunca são fáceis. 

Será ótimo se o Brasil e Lula puderem ajudar o Irã a fazer a escolha correta. É o que farão, se estiverem movidos pelos propósitos certos, e não apenas pela busca dos holofotes.



Fonte: 


Nas Entrelinhas - Alon Feuerwerker
Correio Braziliense - 20/05/2010
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Irã, o boi de piranha das ambições nucleares brasileiras

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Uma vez no jogo, o Brasil será instado a somar esforços para garantir que o Irã não construa a bomba. Objetivo que poderá ser obtido no âmbito do protocolo adicional do TNP, com o rigoroso e completo monitoramento internacional sobre Teerã
 
 
 

Qual é o principal efeito prático da carta de intenções assinada por Brasil, Turquia e Irã no último fim de semana? Introduzir mais efetivamente os dois primeiros na mesa de negociação sobre o programa 
nucleariraniano. Era algo que Luiz Inácio Lula da Silva desejava muito, e conseguiu.

O cacife das outras potências reside na força militar e econômica. Para ser chamado ao pôquer, o Brasil apresentou certas credenciais: ofereceu-se como interlocutor possível entre Teerã e os adversários. Interessa aos iranianos, ativos na busca de “comprar tempo” na corrida pela bomba. E interessa ao Brasil, em busca de protagonismo e espaço globais.

Onde está o desafio para Lula? A entrada na festa não é grátis. E nela os trouxas ficaram do lado de fora, não conseguiram convite.

O Brasil apoia os esforços planetários para evitar que o Irã tenha a bomba, apenas opõe-se ao método das sanções. Mas as palavras precisam ter reflexo nos atos. Se você está na mesa de pôquer não vai sair quando quiser, só porque ganhou umas fichas a mais.

Ficaria mal para o Brasil aparecer aos olhos do mundo como inocente útil dos aiatolás. Nem é razoável imaginar que Lula trabalhe com essa possibilidade. Outra hipótese é o Brasil tratar o Irã como boi de piranha das ambições 
nucleares brasileiras. O Itamaraty e o Palácio do Planalto negam. É um vetor no nosso establishment político e militar, mais ainda não parece ter alcançado dominância explícita.

Assim, uma vez dentro do jogo, o Brasil será instado a somar esforços para garantir, de fato, que o Irã não alcance a tecnologia e as condições materiais para construir a bomba. A troca do urânio enriquecido é apenas um aspecto. Há outros. Deverá haver garantias reais da neutralização atômica de Teerã. O que fará manter e até aumentar a pressão sobre os iranianos.

O Irã não tem uma terceira opção, é a capitulação ou a guerra. Segundo o Brasil, o pacto firmado é o primeiro passo da saída pacífica, e de um jeito que não fique tão vergonhoso para os iranianos. Mas é possível que eles não estejam convencidos disso, que vejam tudo como bela oportunidade de dar sequência ao “enrolation”.

De que jeito resolver isso? De novo, suas excelências, os fatos. É preciso que o rascunho evolua para a permissão de inspeções abrangentes e para a completa abertura de Teerã ao monitoramento internacional. De preferência, no âmbito do protocolo adicional do Tratado de Não Proliferação de Armas 
Nucleares (TNP).

Aliás, o Brasil poderia dar o exemplo, endossando ele próprio o protocolo, para ganhar autoridade junto aos amigos iranianos quando for convencê-los a fazer o mesmo.

Infelizmente, nos últimos anos o regime dos aiatolás, pressionado internamente por vetores modernizantes e ocidentalizantes, derivou para uma política externa expansionista e agressiva, inclusive em relação ao mundo árabe. É natural que um país assim liderado encare resistências quando deseja ampliar seu poderio bélico.

O Brasil, por exemplo, enfrenta desconfianças quanto ao viés pacífico do nosso programa 
nuclear. Mas como não andamos por aí ameaçando riscar ninguém do mapa, nem patrocinamos movimentos de desestabilização política em países das redondezas, a coisa vai sendo levada num certo banho-maria. Já com o Irã não dá para ser assim.

Por isso, no fritar dos ovos, o cenário continua mais ou menos como estava antes do fim de semana. O mundo precisa saber se o Irã aceita renunciar completamente à bomba, se está disposto a oferecer as necessárias garantias. A carta de intenções patrocinada por Lula é positiva, mas talvez ainda não suficiente.

O que não retira seu mérito. Apenas impõe novas obrigações ao novo jogador sentado na mesa do pôquer. 

São os seguinte os principais pontos negociados ontem pelos governos do Brasil, da Turquia e do Irã a respeito do programa nucleariraniano:

1º ) o Irã vai entregar 1.200 quilos de urânio enriquecido a 3,5% e receber de volta 120 quilos processados a 20%;
2º) o Irã retirou a exigência da troca simultânea;
3º ) o Irã recuou da exigência de que a troca fosse feita em solo iraniano. Poderia ser feita no Brasil ou na Turquia, dois países que considera confiáveis, ao contrário de outros ocidentais e especialmente dos Estados Unidos - a opção foi pela Turquia, país geográfica e politicamente ligado a Irã e a Israel, com os quais compartilha fronteiras;
4º ) o acordo vai ser submetido à apreciação da Agência Internacional de Energia Atômica e se tudo ocorrer com o programado, o Irã deve ter combustível para seu reator em um ano ou pouco mais;
5º ) a Turquia será a fiel depositória dos 1.200 quilos do urânio iraniano. Ele deverá ser enriquecido e transformado em combustível na França.

Fonte:
Correio Braziliense - 18/05/2010
Valor Econômico - 18/05/2010
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